Acabei de iniciar uma videochamada com um sócio-geral de uma empresa de capital de risco. "Quando estiver pronto, pode começar sua apresentação", diz ele.
Como parte de um experimento jornalístico, estou fazendo o papel de um fundador de startup irremediavelmente delirante. Enquanto detalho meu plano de criar um "Uber para bananas", seu sorriso calmo e educado não se altera.
Tampouco mudam as pequenas sombras projetadas pelas dobras de sua camisa. Seus ombros oscilam levemente para a frente e para trás —e com uma regularidade um pouco excessiva.
Isso porque, embora pareça que estou conversando com Jeff Bussgang, cofundador da Flybridge Capital e professor sênior da Harvard Business School, na verdade estou falando com seu avatar de vídeo gerado por IA.
Quando converso com o verdadeiro Bussgang —que, assim como sua versão de IA, não fica impressionado com minha ideia de entregar bananas mais rapidamente—, ele admite que a simulação é pelo menos um pouco "assustadora.
O Foundry conduz os participantes por uma estrutura para a criação de uma empresa, desde o refinamento da ideia até sua apresentação a investidores e clientes. Além do conteúdo da Harvard Business School, seu espaço de trabalho virtual inclui uma comunidade de colegas e acesso a agentes de IA —alguns deles destinados a "representar" os instrutores.
O programa também oferece simulações de videochamadas para praticar apresentações, reuniões de vendas e reuniões de conselho com avatares de IA dos instrutores, como o de Bussgang.
Fundadores experientes, investidores e professores da Harvard Business School conduzem sessões semanais ao vivo, mas a finalidade do portal online é orientar os alunos no uso de recursos de IA e do conteúdo da escola de negócios para criar uma startup.
A instituição pretende usar o Foundry para ampliar sua oferta muito além dos cerca de 900 alunos de MBA que admite a cada ano. Nesse sentido, o programa é uma espécie de estudo de caso para empresas que enfrentam um problema semelhante: consultorias como a PWC, escritórios de advocacia e, em pelo menos um caso, uma igreja também estão testando maneiras de usar a IA para expandir seus serviços muito além da capacidade de trabalho de seus profissionais.
Alguns diretores de cinema fazem o mesmo —uma versão de IA do ator Val Kilmer, que morreu em 2025, apareceu recentemente no drama histórico "As Deep as the Grave.
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Quando a equipe de Harvard começou a trabalhar no projeto de IA, em 2024, imaginava uma janela simples de conversa, semelhante ao ChatGPT, mas equipada para aconselhar empreendedores, disse Katharina Rings, diretora do projeto Foundry.
No entanto, depois que a escola lançou um produto experimental em outubro, segundo ela, os alunos disseram que queriam uma experiência mais guiada, o que levou à versão atual, disponível desde abril.
A Harvard Business School é conhecida por adotar um sistema de avaliação com curva forçada, e o Foundry precisou ensinar deliberadamente a IA a não ser bajuladora, uma característica comum dos grandes modelos de linguagem, disse Tom Eisenmann, copresidente do corpo docente no projeto.
Ele afirmou que fez questão de informar aos participantes que os agentes de IA são programados para ser tão rigorosos que praticamente nenhuma ideia de startup apresentada a eles recebeu aprovação na primeira tentativa.
Chegamos literalmente a ter alguém que passou dez horas com a ferramenta, simplesmente tentando e tentando", disse. "Isso é ótimo, mas não é esse, de fato, o objetivo.
Os agentes de IA que conversam com os participantes foram treinados com base no trabalho de professores específicos da Harvard Business School, mas também recorrem a conhecimentos mais amplos quando apropriado.
O Foundry criou os vídeos de professores gerados por IA em estreita colaboração com a HeyGen, empresa que produz avatares de IA. A reação positiva tanto às versões dos professores em chats de IA quanto, especialmente, aos avatares de vídeo de IA foi uma pequena surpresa.
Rings afirmou que, nos testes, a simples inclusão da foto de um professor em um chatbot de IA aumentou o engajamento. "Isso ficou muito claro pelo que os usuários nos diziam e pelo que os números mostravam", disse.
Parece que as pessoas realmente preferem muito mais as IAs —e confiam mais nelas— quando são baseadas nas contribuições de uma pessoa específica.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.