Ir para o conteúdo
Economia Revisado por ULTRA AI

Governos regionais também devem dar contribuição para o ajuste fiscal

A Lei de Responsabilidade Fiscal foi um marco, mas é preciso aprimorá-la

2 min de leitura
Economia — imagem padrão

O debate fiscal brasileiro tem girado quase inteiramente em torno do governo federal: metas de primário, arcabouço fiscal, Bolsa Família, isenção do IRPF, dívida bruta.

Agenda relevante, mas que esconde uma das principais mudanças estruturais no gasto público após a pandemia: a forte elevação das despesas de estados e municípios, fenômeno que foi denominado de "descentralização fiscal silenciosa" por Manoel Pires, meu colega no FGV Ibre.

Convém lembrar que uma parte não desprezível do que o Tesouro Nacional reporta como despesa federal é, na verdade, transferência a entes subnacionais: complementação ao Fundeb, repasses do SUS, FCDF, Lei Kandir, parte das emendas parlamentares, entre outros.

O total transferido pela União para os governos regionais, considerando repartição de receitas e repasses via despesas primárias, passou de 6,2% do PIB na média de 2006-19 para quase 8% do PIB desde 2022.

Essa descentralização fiscal traz três ordens de problemas.

A segunda é de sustentabilidade. Só a União é cobrada a gerar primário compatível com a estabilização da dívida pública. Os governos regionais devem sobretudo ao próprio Tesouro, que renegociou essas dívidas em 1997, 2014, 2016 e, agora, com o Propag (2025).

Não há disciplina de mercado, e os freios institucionais se resumem aos tetos de gasto com pessoal da LRF, contornáveis por contabilidade criativa, e aos limites de endividamento (que são condicionados pelo rating do Capag, altamente pró-cíclico).

Os ganhos da bonança viram gasto permanente, sem poupança; as perdas, contudo, são socializadas.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

Leia também

Mais em Economia