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Economia Revisado por ULTRA AI

Fugitivos das telas: por que cada vez mais pessoas pagam para ficar offline

Na contramão de um mundo cada vez mais digital, negócios apostam em vinil, câmeras analógicas e experiências presenciais para atrair quem quer desacelerar e rec

4 min de leitura
Fugitivos das telas: por que cada vez mais pessoas pagam para ficar offline

Enquanto a vida digital se acelera, cresce um movimento na direção oposta: consumidores interessados em experiências mais lentas, presenciais e tangíveis.

A tendência aparece de formas diferentes, mas tem um elemento em comum: a valorização daquilo que exige tempo, atenção e envolvimento.

Discos de vinil ganham espaço diante das playlists infinitas. Câmeras analógicas ressurgem como alternativa aos filtros e aplicativos. E atividades criativas feitas à mão passam a disputar espaço com horas diante do celular.

Esse comportamento está criando oportunidades para empreendedores que apostam justamente no que parecia ter ficado para trás.

Em diferentes regiões do país, negócios baseados em tecnologias, produtos e hábitos do passado encontram novos públicos. O que une essas iniciativas é a mesma aposta: transformar a busca por experiências mais humanas e menos digitais em oportunidade de negócio.

Em Macapá (AP), o empreendedor Charles Figueiredo encontrou uma oportunidade justamente em um formato que muitos consideravam ultrapassado. Há cerca de dez anos, ele decidiu transformar sua coleção de discos em negócio e abriu uma loja especializada em vinis.

O que era um mercado de nicho passou a atrair um público cada vez mais diverso. Segundo o empreendedor, aproximadamente 70% dos clientes têm entre 16 e 26 anos.

Em vez de consumidores que viveram o auge dos LPs, a maioria é formada por jovens que estão descobrindo agora o universo dos discos.

Para eles, o interesse vai além da música. Existe um ritual que começa na escolha do álbum, passa pelo cuidado de retirar o disco da capa e termina no momento de posicionar a agulha sobre a faixa desejada.

Uma experiência bem diferente da praticidade oferecida pelos serviços de streaming.

Para atrair clientes, Charles investe em feiras, encontros de colecionadores, vendas por catálogo e divulgação nas redes sociais.

Câmera que parecia ultrapassada volta a valer mais.

Em Goiânia, a volta ao passado acontece pelas lentes. Silvio Alves Domingues trabalha há 40 anos com fotografia e acompanhou a transição do analógico para o digital.

A mudança foi rápida e teve impacto direto no negócio.

O empresário precisou se reinventar.

Mas, cerca de oito anos atrás, ele percebeu um movimento inesperado.

Para esse público, a imperfeição e a naturalidade da fotografia analógica passaram a ser parte do encanto.

A valorização depende, porém, do estado de conservação do equipamento. Algumas câmeras não compensam o custo de manutenção. Outras podem ser restauradas e voltar a funcionar.

Para ele, existe também um componente emocional nessa volta.

A procura pelo analógico também alimenta expectativas sobre o futuro do setor.

Em São Paulo, a busca por desconexão ganhou uma forma diferente. Laura Issa criou um espaço de experiências criativas. O local oferece aulas de pintura em cerâmica, cerâmica, bordado, crochê e aquarela, além de workshops nos fins de semana.

A ideia surgiu das próprias experiências da empreendedora. Laura conta que, em momentos de mudanças na vida, costumava buscar cursos e viagens para experimentar coisas novas.

Com o tempo, percebeu que outras pessoas poderiam ter a mesma vontade.

Ela também identificou uma dificuldade específica de quem vive em uma cidade grande.

A proposta do espaço é justamente quebrar essa rotina.

A empreendedora diz que, ao longo da construção do negócio, percebeu que havia também uma busca por diminuir o tempo diante das telas.

O espaço tenta oferecer justamente essa experiência presencial.

A divulgação acontece também pelas redes sociais, mas a própria chegada dos clientes tem um componente offline.

A proposta atraiu principalmente mulheres: 90% dos clientes são mulheres, e a maioria tem entre 30 e 40 anos. Uma delas é Ana Facure, que decidiu reduzir o uso das redes sociais e buscar atividades manuais.

Ela encontrou no espaço uma possibilidade de criar e, ao mesmo tempo, estabelecer relações presenciais.

Para Ana, a própria velocidade de São Paulo reforça essa necessidade.

Embora atuem em segmentos completamente diferentes, os três empreendedores apostam em uma mesma mudança de comportamento. Em um cenário cada vez mais digital, consumidores passaram a valorizar experiências que exigem mais presença, tempo e interação.

O fenômeno não representa uma rejeição à tecnologia. Pelo contrário. Todos esses negócios usam internet, redes sociais e ferramentas digitais para divulgar produtos, encontrar clientes e ampliar a operação.

A diferença está no que oferecem: algo que o ambiente online nem sempre consegue reproduzir.

Seja ouvindo um disco de vinil, fotografando com uma câmera analógica ou participando de uma aula de cerâmica, os clientes buscam experiências físicas, sensoriais e compartilhadas.

Em comum, está o desejo de desacelerar em meio à rotina acelerada da vida digital.

Para esses empreendedores, o futuro não está necessariamente em escolher entre o analógico e o digital, mas em encontrar um equilíbrio entre os dois mundos. E, ao que tudo indica, existe um público cada vez maior disposto a investir nessa experiência.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Economialink

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