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Economia

Estudos do Conselho da Fiesp, chefiado por Campos Neto, embasam propostas de Flávio Bolsonaro

Assessoria do ex-presidente do BC afirma que ele não tem nenhum tipo de colaboração com candidaturas

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Economia — imagem padrão

Estudos do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que reúne ex-membros do governo de Jair Bolsonaro (PL), vão embasar propostas de política econômica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Assessora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques integra o conselho, presidido por Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro.

Daniella Marques, que é próxima de Campos Neto, já disse publicamente que vai ouvir as contribuições técnicas de entidades, como a Fiesp. Nos bastidores, ela tem ressaltado a diversos interlocutores a importância dos estudos do Conselho Superior da Fiesp para o plano de governo de Flávio.

Sob a atual presidência de Paulo Skaf, a entidade passou a contar com ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro em seus quadros. Além de Campos Neto e Daniella, a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina e o senador —hoje candidato ao governo do Paraná— Sérgio Moro também integram conselhos setoriais da entidade empresarial.

Skaf já sinalizou em outras ocasiões ter proximidade com Flávio e sua família, tendo apoiado publicamente a reeleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2022. Nas manifestações do dia 7 de setembro deste ano, na avenida Paulista, o prédio da Fiesp estava coberto por uma imagem da bandeira do Brasil.

O Conselho Superior de Economia conta ainda com outros ex-diretores do BC, que atuaram durante a gestão de Campos Neto, como Bruno Serra, Fernanda Guardado e Fabio Kanczuk.

Campos Neto não pode prestar ajuda oficialmente à campanha de Flávio por ser vice-chairman e diretor global de políticas públicas da Nubank. O compliance da empresa restringe posicionamento político das chefias.

Mas o ex-presidente do BC pode desenvolver, no âmbito do Fiesp, estudos que podem ser adotados pelos presidenciáveis.

Em nota, a assessoria de Campos Neto afirma que ele não tem nenhum tipo de colaboração com candidaturas políticas, nem integra projetos para composições de governo.

A participação do ex-presidente do Conselho Superior de Economia é atinente à elaboração de estudos técnicos, de distribuição pública e acessíveis à sociedade em geral.

Em agosto, durante reunião com a diretoria da Fiesp, Campos Neto afirmou que o Brasil precisa dar sinais de credibilidade institucional com uma mensagem mais clara de compromisso com ajuste fiscal, diante de uma dívida bruta próxima a 82% do PIB (Produto Interno Bruto).

O discurso do ex-presidente do BC está alinhado ao de Daniella Marques.

Ela tem repetido o modelo adotado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes nas eleições de 2018, vencida por Jair Bolsonaro, de reunir grupos de economistas para discutir propostas, mesmo sem ligação direta com a campanha.

Boa parte deles depois integrou a equipe de Guedes no Ministério da Economia ou na presidência de estatais. Campos Neto fez parte dos grupos de debates e depois foi indicado para presidir o BC.

Em entrevista ao programa C-Level, da Folha, Daniella criticou a alta da dívida pública do governo Lula e fez menção a estudos feitos no âmbito da Fiesp que podem orientar a campanha de Flávio.

Uma trava de relação dívida/PIB que pode ser escalonada ou não, mas está sendo estudada. E vai ser dialogado na via política", afirmou. "Teria uma parte do ajuste feito pela própria curva de juros.

Uma vez que se retoma a credibilidade e os agentes antecipam, tem uma inflexão da curva. Alguns estudos discutidos no Conselho Econômico da Fiesp apontam que um corte de 1,5% do PIB gera um ajuste na curva da ordem de 2,5%.

Desde o início oficial da campanha para as eleições, em 16 de agosto, Flávio foi o único candidato à Presidência recebido na reunião de diretores da Fiesp, que costuma incluir convidados especiais.

O encontro com o senador ocorreu em 25 de agosto, com quórum elevado de empresários da indústria.

O também candidato Ronaldo Caiado (PSD) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já participaram da reunião, mas antes do início da campanha.

O evento com Flávio recebeu destaque nas redes sociais de Paulo Skaf, que deu espaço à fala do senador sobre retomar a capacidade de investimento no setor privado.

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