No mais recente relatório mensal sobre o comportamento dos preços internacionais dos alimentos, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indicou que os consumidores pagaram 12% a mais pelo açúcar em agosto em relação a julho.
Isso é apenas o começo de uma alta mais intensa que virá nos próximos meses por conta dos efeitos do El Niño, segundo o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado.
Ele destaca que a evolução de preços no Brasil, o maior produtor mundial, foi bem mais acelerada no período, atingindo 20% para o açúcar cristal. É o aumento que as usinas repassaram para as indústrias no período e que ainda vai chegar nos consumidores.
O El Niño no Brasil está provocando excesso de chuva, o que reduz o ritmo da colheita, e um volume de precipitações abaixo da média na Ásia, afetando a produção.
Na União Europeia, as altas temperaturas fizeram o setor reduzir as estimativas de produção.
Muruci diz que o bloco europeu deve produzir 3 milhões de toneladas a menos do que o previsto para esta safra, mesmo volume de retração no Brasil. A Índia deverá ter uma safra 3,8 milhões abaixo do esperado; a Tailândia, outra importante produtora, 2 milhões a menos, e a China, 1,5 milhão a menos.
No Brasil, em função do El Niño, a safra deverá terminar dois meses antes do normal, e a próxima só começará dois meses depois. Há uma antecipação das chuvas agora e uma postergação no próximo ano.
Vai ser uma entressafra mais longa e com uma oferta ainda menor de açúcar do que a gente já vem enfrentando agora", afirma Muruci.
As notícias sobre o El Niño não são boas, segundo o analista da Safras. Relatório desta quinta-feira (10) do NOAA, órgão do Departamento de Climatologia dos Estados Unidos, indica que o fenômeno, que começou em maio deste ano, vai até maio do próximo ano.
A intensidade dele no ápice, provavelmente em outubro, poderá superar 3,5°C. Se confirmada essa expectativa, a temperatura superficial do Pacífico estará 3,5°C acima da média histórica de 50 anos.
Quando a água fica 1°C acima da média histórica, o El Niño é considerado fraco; 1,5°C, moderado; 2°C, forte. E o que temos agora é uma variação entre 3,5°C a 4°C, diz Muruci.
O mercado se antecipa a uma esperada queda de produção. A safra 2026/27, que começa em outubro deste ano e vai até setembro do próximo, será de 175 milhões de toneladas, abaixo dos 189 milhões atuais.
A demanda internacional será de 183 milhões de toneladas.
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Em números
- Muruci diz que o bloco europeu deve produzir 3 milhões de toneladas a menos do que o previsto para esta
- A Índia deverá ter uma safra 3,8 milhões abaixo do esperado; a Tailândia, outra importante
- Produtora, 2 milhões a menos, e a China, 1,5 milhão a menos
- A demanda internacional será de 183 milhões de toneladas
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