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Economia Revisado por ULTRA AI

El Niño ameaça produção das commodities mais negociadas

Preços de café e cacau já subiram com expectativas de perdas nas lavouras do Brasil, da África Ocidental e da Ásia

3 min de leitura
El Niño ameaça produção das commodities mais negociadas

Um El Niño em ascensão ameaça interromper a produção de algumas das commodities agrícolas mais negociadas do mundo, provocando fortes oscilações nos preços e elevando o risco de escassez de alimentos e de inflação generalizada.

O fenômeno climático, que provoca chuvas intensas e secas e costuma ocorrer a cada dois a sete anos, já afetou os preços do café e do cacau, à medida que investidores antecipam danos às safras do Brasil à África Ocidental e ao Sudeste Asiático.

Analistas do Rabobank apontaram uma correlação crescente entre os preços do café e do cacau, apesar de seus "fundamentos subjacentes muito diferentes", sugerindo que os investidores estão aplicando um "prêmio de risco do El Niño" às commodities agrícolas.

O Banco Central Europeu calculou que eventos fortes de El Niño normalmente elevam em 9% os preços globais das commodities alimentares. Economistas do Jefferies alertaram na quinta-feira que "no contexto da pressão já existente sobre os preços das commodities devido à guerra entre EUA e Irã, esse efeito provavelmente será maior".

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) informou no mês passado que havia 97% de probabilidade de o El Niño atual persistir até a primavera de 2027 e 81% de chance de o fenômeno se tornar "muito forte" entre out ubro e dezembro deste ano, colocando-o entre os mais intensos registrados desde 1950.

A ameaça climática surge enquanto os agricultores já enfrentam uma crise de fertilizantes provocada pela interrupção dos fluxos de energia e commodities durante a guerra entre Irã e EUA. O El Niño "tem potencial para se espalhar pelo setor mais amplo de alimentos e agricultura e, em última instância, pela economia global", disseram Warren Patterson e Thijs Geijer, analistas do ING.

A escassez de fertilizantes pode obrigar os agricultores a reduzir sua aplicação justamente quando as lavouras enfrentam secas, calor ou chuvas excessivas, deixando as plantas menos capazes de resistir a condições climáticas adversas.

"Minha preocupação agora é com o trigo duro e o arroz", disse Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), acrescentando que uma combinação de El Niño e menor uso de fertilizantes na Austrália, importante produtora de trigo, e na Índia, maior produtora de arroz do mundo, ameaça prejudicar as produtividades. "É um efeito combinado que é perigoso."

O El Niño pode levar pelo menos mais 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda até o fim de 2027, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU. "O El Niño é uma ameaça enorme à segurança alimentar de milhões de pessoas que já estão vulneráveis", disse Carl Skau, diretor-executivo interino do PMA.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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