O simpático monitor que vai apitar o jogo de futebol das crianças na festa de aniversário pergunta ao pai do aniversariante se é para roubar para o time do filho dele.
Não, de modo algum", responde o pai com comovente perplexidade.
Os pais dos amigos do aniversariante riem e explicam ao atônito pai que o mundo é assim, a desonestidade é a regra.
A ocasião não é propícia para perguntar se é assim no hospital em que um trabalha ou na igreja que o outro frequenta, então o assunto morre. Mas não, o mundo não é assim.
A evidência científica corrobora o que a maior parte de nós tem a sorte de presenciar no dia a dia. Carteiras com dinheiro jogadas nas ruas são, na maioria das vezes, devolvidas ao dono, e a taxa de retorno aumenta quando há mais dinheiro na carteira (*).
De fato, uma análise sistemática de 90 estudos experimentais concluiu que as pessoas mentem menos do que os pesquisadores suporiam (**).
Há, porém, diversas qualificações a esse ponto. A primeira, mais óbvia, é que, ainda assim, há bastante mentira e desonestidade no mundo.
Pessoas com mais propensão a mentir e roubar vão tentar escolher profissões e caminhos onde isso é mais rentável. Assim, a política vai atrair esses tipos —assim como vai atrair os idealistas que querem melhorar o mundo.
A alta concentração de pessoas com propensão a desonestidade na política nos ajuda a entender como pode um mundo com muita gente honesta ter tanta desonestidade estampada nos jornais.
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