A desigualdade de renda no Brasil continua crescendo no topo da pirâmide. Um relatório divulgado nesta quarta-feira (19) pela Oxfam Brasil mostra que o 1% mais rico da população passou a concentrar 24,3% de toda a renda do país em 2023, ante 20,4% em 2017.
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No mesmo período, o índice de Gini caiu para 0,506, o menor já registrado, e a diferença de renda entre o 1% mais rico e os 40% mais pobres também atingiu o menor patamar da série.
🔍 O coeficiente de Gini mede o nível de desigualdade na distribuição da riqueza em um país. Quando está mais próximo de 0, indica que a riqueza está mais bem distribuída entre a população; quando se aproxima de 1, significa que uma pequena parcela das pessoas concentra a maior parte do patrimônio, enquanto a maioria possui pouco ou quase nada.
O estudo lembra ainda que cerca de 8,6 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza, reduzindo a taxa de 27,3% para 23,1% da população.
Ainda assim, a organização afirma que os ganhos não foram distribuídos de forma uniforme, permitindo que os grupos de maior renda ampliassem sua participação na renda nacional.
Quando a análise considera o patrimônio, como imóveis, investimentos e outros bens, a concentração é ainda maior. Segundo o relatório, o 1% mais rico detém 37,3% de toda a riqueza declarada no país.
Para chegar a essas conclusões, a pesquisa cruzou dados do IBGE, da Receita Federal, do Ministério da Fazenda e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de estudos nacionais e internacionais sobre renda, patrimônio, tributação e representação política.
O estudo aponta ainda que o país terminou o ano de 2025 como o quarto com maior desigualdade patrimonial do mundo, com cerca de 386 mil milionários em dólar.
Apesar disso, o Brasil continua entre os países com maior concentração de riqueza do mundo, ocupando a 4ª posição entre 56 mercados analisados.
Sistema tributário e rendimentos do capital.
A Oxfam também critica a estrutura tributária brasileira, que classifica como "regressiva" por concentrar a cobrança de impostos sobre o consumo e os salários do que sobre o patrimônio e a renda dos mais ricos.
Essa combinação limita a capacidade redistributiva do Estado, já que a política fiscal arrecada de forma agressiva sobre o orçamento cotidiano da maioria da população, mas é intencionalmente tímida ao incidir sobre o patrimônio e os rendimentos do capital", afirma a entidade.
Segundo o relatório, a alíquota efetiva de Imposto de Renda cai para 4,6% entre o 0,01% mais rico da população, principalmente devido à isenção sobre lucros e dividendos e à baixa tributação sobre heranças.
Para a organização, isso significa que pessoas de renda mais baixa acabam comprometendo uma parcela maior do orçamento com impostos, enquanto os mais ricos pagam proporcionalmente menos sobre sua riqueza, o que dificulta a redução da desigualdade.
Mulheres e população negra seguem em desvantagem.
O estudo também destaca que as desigualdades de renda e patrimônio permanecem fortemente marcadas por gênero e raça.
Os dados mostram que homens e mulheres têm perfis de renda diferentes.
👩 Entre as mulheres, 56,5% dos rendimentos vêm de fontes tributáveis, principalmente salários e outras remunerações do trabalho.
👨 Já entre os homens, a maior parcela da renda é formada por rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, como lucros e dividendos, aplicações financeiras e outros ganhos de capital, que costumam ter tributação menor ou diferenciada.
Segundo a Oxfam, essa diferença faz com que a renda do capital fique mais concentrada entre os homens.
Patrimônio influencia representação política, segundo organização.
A pesquisa sustenta que a concentração econômica também se reflete na política brasileira. Apesar de representarem 52,65% do eleitorado, as mulheres ocuparam apenas 17% das cadeiras conquistadas nas eleições de 2022.
Já os homens brancos responderam por 56,5% dos eleitos.
Para a Oxfam, esses dados indicam que a capacidade financeira exerce influência significativa sobre a competitividade eleitoral.
Entidade defende aumento da taxação sobre grandes fortunas.
Entre elas estão a tributação de lucros e dividendos, o aumento da taxação sobre grandes fortunas e heranças, a revisão de benefícios fiscais sem contrapartida social e maior transparência sobre o impacto dos impostos por gênero e raça.
A Oxfam também defende regras mais rígidas para o lobby e os conflitos de interesse entre empresas e governo, com maior transparência sobre quem influencia decisões públicas.
🔎 Lobby é a atividade de tentar influenciar decisões do poder público em favor de determinados interesses. Essa atuação pode ser feita por empresas, sindicatos, associações, organizações da sociedade civil ou outros grupos.
regulamentação mais rigorosa da atividade de lobby;regras de quarentena para reduzir conflitos de interesse entre setor público e privado;ampliação do apoio financeiro a candidaturas de mulheres negras e de grupos sub-representados;maior integração das emendas parlamentares ao planejamento nacional das políticas públicas.
Segundo a organização, a combinação dessas medidas seria necessária para reduzir a concentração de riqueza e ampliar a representatividade democrática no país.
Em números
- O estudo lembra ainda que cerca de 8,6 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza, reduzi
- Nou o ano de 2025 como o quarto com maior desigualdade patrimonial do mundo, com cerca de 386 mil milionários em dólar
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.