A deflação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em agosto reforçou a expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
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O colegiado do BC (Banco Central) volta a se reunir na terça-feira (15) e na quarta (16) para definir o patamar da Selic, que está em 14% ao ano.
Caso as projeções se confirmem na semana que vem, a taxa de juros terá o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, recuando a 13,75%.
O IPCA registrou queda de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Essa deflação foi puxada pelo recuo na conta de luz, que teve alívio temporário do bônus de Itaipu. Também houve reduções nos preços de passagem aérea, parte dos alimentos e combustíveis.
O economista Leonardo Costa, da instituição financeira Asa, disse que o IPCA de agosto reforça a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic em conjunto com os dados de atividade econômica disponíveis até o momento, que vêm sinalizando perda de ritmo.
Diante do resultado e da manutenção dos subsídios aos combustíveis, revisamos nossa projeção de IPCA de 2026 para 4,8% (ante 5%), embora o balanço de riscos permaneça relevante, especialmente por fatores climáticos associados ao El Niño e seus potenciais impactos sobre alimentos e energia", afirmou Costa.
Os juros altos buscam conter a inflação (alta dos preços) ao dificultar o consumo de parte dos bens e serviços. O efeito colateral esperado é a desaceleração da atividade econômica.
O PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre cresceu 0,5%, abaixo da alta registrada nos três primeiros meses do ano (1,1%).
Como a inflação tem mostrado algum alívio nos últimos meses e o câmbio também vem se comportando de forma favorável, esperamos que o Banco Central decida por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano", afirmou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.
Nossa projeção é que os juros sejam mantidos nesse patamar [13,75%] até o fim de 2026", acrescentou.
O economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, disse que o IPCA de agosto não muda a expectativa de corte da Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom.
Ele também prevê taxa de 13,75% ao final de 2026.
A economista Basiliki Litvac, da XP, projeta que o ciclo de cortes poderá ir além da redução de 0,25 ponto percentual esperada para a próxima semana. Ela vê espaço para a Selic fechar 2026 em 13,25%.
Litvac associa a estimativa a sinais adicionais de desaceleração da atividade econômica mais cedo do que o esperado e leituras benignas de inflação nos últimos meses.
Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados), afirma que os dados do IPCA não justificam a atual taxa de juros. Ele argumenta que a Selic de 14% desestimula os investimentos e o consumo e afeta o crescimento sustentável da economia no médio e no longo prazos.
Os dados de inflação corroboram a defesa da Apas de uma taxa de juros civilizada, ou seja, temos que acelerar o processo de redução de juros, porque a economia, até então, tem se mostrado minimamente resiliente, mas não por muito tempo.
E inflação não é o nosso problema macroeconômico do momento", diz Queiroz.
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