Quando arrumamos uma mala, um quilo a mais parece irrelevante. Uma peça de roupa, outro sapato, algo que talvez nem seja usado. O problema é que aquele peso aparentemente pequeno nos acompanha durante toda a viagem.
Uma redução de pouco mais de 4% nas despesas acrescentava quase oito anos à duração das reservas. Na projeção, são quase 100 meses adicionais antes do esgotamento do patrimônio.
Mas existe um segundo efeito, menos evidente e talvez mais importante: quem reduz permanentemente seu padrão de vida também passa a precisar de menos dinheiro para sustentá-lo no futuro.
É apenas uma referência. Um planejamento financeiro completo precisa considerar idade, retorno dos investimentos, longevidade, evolução das despesas e eventual desejo de deixar patrimônio.
A taxa real de 5% serve aqui para transformar uma despesa mensal em uma medida simples de patrimônio necessário.
Nada disso significa que melhorar o padrão de vida seja um erro. Trabalhamos também para usufruir da renda que conquistamos. O cuidado está em transformar automaticamente cada aumento de renda em novas despesas permanentes.
Um carro melhor, um imóvel maior ou mais serviços podem caber perfeitamente no orçamento de hoje, mas, também, aumentar bastante o patrimônio necessário amanhã.
Por isso, antes de incorporar uma nova despesa recorrente, podemos acrescentar uma pergunta ao conhecido "cabe no meu orçamento?": quanto patrimônio precisarei acumular para continuar pagando por ela quando não quiser ou não puder mais trabalhar.
Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor.
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