Ir para o conteúdo
Economia Revisado por ULTRA AI

Combater poluição e mudança climática pode elevar PIB global em 2,8% até 2035, diz ONU

Medidas exigiriam investimentos equivalentes a 0,7% do PIB na próxima década e elevariam o ganho econômico para 4,5% até 2050

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Combater conjuntamente a poluição do ar e as mudanças climáticas elevaria o PIB (Produto Interno Bruto) global em 2,8% até 2035, segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), em um momento em que a maior parte da população mundial continua exposta a níveis de poluição acima dos padrões globais.

  • Foco no PIB leva a declínio da natureza, afirmam 150 países em novo relatório.
  • Economia verde pode render US$ 20 trilhões anuais em 2070 e salvar milhões, diz ONU.

Em comparação, mais de 2% do PIB foram gastos em subsídios aos combustíveis fósseis em 2022 —que causam danos quando queimados— e cerca de 9% foram destinados à saúde em 2023.

Segundo Shuxiao Wang, coautor do estudo e integrante da Universidade Tsinghua, na China, o argumento econômico apresentado pelo relatório baseia-se em medidas que não são novas, mas já foram "comprovadas e estão disponíveis no mundo.

As mudanças climáticas e a poluição do ar têm muitos fatores em comum, incluindo a queima de combustíveis fósseis, determinadas práticas agrícolas e processos industriais.

O relatório mostrou que, considerando apenas os benefícios de mercado, as medidas gerariam valor econômico todos os anos, segundo os autores. Cada ano de atraso, por outro lado, representaria a perda de parte desses benefícios.

Por tempo demais, tratamos a ação climática como um custo a ser administrado e a poluição do ar como uma consequência lamentável do desenvolvimento", afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Embora as soluções existam, falta ao mundo "uma liderança firme de governos, instituições financeiras e empresas para implementá-las com a rapidez e a coordenação exigidas por esta crise", disse Andersen.

As 25 medidas identificadas incluem a expansão de fontes renováveis de energia e de veículos elétricos, alternativas mais limpas para cozinhar, uso mais eficiente de fertilizantes e o fim da ventilação rotineira em operações de petróleo e gás.

O benefício calculado seria um acréscimo de 2,8% ao PIB até 2035 e de 4,5% até 2050. Em contrapartida, os custos de implementação seriam de cerca de 0,7% do PIB global na próxima década, segundo o relatório.

Os benefícios incluem menores gastos com saúde, maior produtividade do trabalho e prevenção de danos físicos, além do valor monetário associado à redução de mortes prematuras e à melhoria da saúde, afirmou o relatório.

O documento apresenta "a evidência mais rigorosa até agora de que tratar as mudanças climáticas e a poluição do ar como problemas distintos nos leva a subestimar os benefícios de enfrentar qualquer um deles", afirmou Simon Dietz, copresidente da avaliação e professor de política ambiental na London School of Economics.

Ele destacou que tratar as duas agendas simultaneamente acrescentaria 0,2% ao crescimento econômico, algo que "não existe" quando as questões são enfrentadas separadamente.

Quando as modelamos em conjunto, os retornos foram maiores do que cada uma poderia apresentar isoladamente, porque, com muita frequência, ambas são impulsionadas pelas mesmas fontes, pelos mesmos setores e pelas mesmas políticas.

Em 2025, estima-se que 6,4 milhões de mortes prematuras em todo o mundo tenham sido associadas à exposição à poluição do ar externo causada pela atividade humana, enquanto a poluição do ar doméstico, decorrente, por exemplo, da queima de combustíveis sólidos, esteve ligada a outras 2 milhões de mortes prematuras, incluindo cerca de 300 mil crianças, informou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O relatório foi divulgado poucos dias depois de outra pesquisa do órgão alertar que o mundo caminhava para ultrapassar, dentro de poucos anos, a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C acima do nível pré-industrial.

Países como China e Canadá já associam o combate à poluição do ar às ações contra as mudanças climáticas. A China reduziu significativamente a poluição atmosférica nociva capaz de entrar na corrente sanguínea, com os níveis caindo quase 60% entre 2013 e o fim do ano passado.

Isso levou a uma queda de 30% na proporção de internações hospitalares causadas por essa poluição.

Mas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 99% da população mundial ainda respira ar com níveis de poluição acima dos limites seguros.

Em números

  • Em 2025, estima-se que 6,4 milhões de mortes prematuras em todo o mundo tenham sido

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

Leia também

Mais em Economia