A rede de varejo Casas Bahia disse neste domingo (16) que avalia uma renegociação de suas dívidas com credores, o que pode incluir um novo pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, depois de um período marcado por fechamento de lojas, demissões e baixas contábeis.
Dentre as medidas avaliadas pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", afirmou a varejista na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.
A empresa afirmou que, em um cenário de juros altos e endividamento das famílias, reduziu o volume de compras de estoque para reduzir seu tamanho. "Comprar de forma estruturalmente menor significa operar em uma escala menor", disse.
A empresa contratada para a auditoria externa da Casas Bahia, a EY, se absteve de dar opinião sobre as demonstrações financeiras do segundo trimestre, citando há uma "incerteza relevante" sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia.
FECHAMENTO DE 298 LOJAS E DEMISSÕES.
A companhia informou que fechou 298 das 11 mil lojas que possui e que está revisando seu quadro de colaboradores. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a varejista demitiu cerca de duas mil pessoas na semana passada.
A Casas Bahia disse que está revisando o seu quadro de colaboradores para ajustá-lo ao novo tamanho da operação, além de contratos, despesas e investimentos, "buscando uma estrutura de custos compatível com o nível esperado de atividade e geração de caixa.
A varejista afirmou ainda que repensará a estratégia comercial dos seus canais digitais para priorizar margem e geração de caixa em vez do crescimento dos volumes de venda ou de categorias que não sejam lucrativas.
Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de perdas, em uma trajetória que, segundo analistas, vem se intensificando com os juros altos, que incidem sobre sua elevada despesa financeira, e a inadimplência crescente da população.
Desde a última vez que reportou lucro, no segundo trimestre de 2024, mesmo período em que entrou em recuperação extrajudicial, a varejista acumula resultados negativos que foram aumentando de tamanho.
O fator determinante para a Casas Bahia estar na situação em que está hoje é o que tem afetado diversas empresas de varejo no Brasil, que é o longo e persistente ciclo de juros reais muito altos", aponta o consultor de varejo Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail.
Uma sequência de números divulgados por varejistas na semana passada indicaram que a desaceleração do consumo e o aumento do endividamento das famílias castigam o setor mais do que o esperado.
O varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros, que permaneceram altos por muito tempo. As famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa", afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Serrentino lembra que a taxa básica (Selic), hoje em 14% ao ano, estava em 2% ao ano entre o final de 2020 e início de 2021, e que os juros baixos estimularam muitas empresas do setor a se alavancarem na época.
O custo de capital era muito barato e havia muita liquidez na saída da pandemia. Mas quando os juros subiram repentinamente e chegaram ao patamar que estão hoje, a estrutura de capital dessas companhias passou a não suportar mais os seus modelos econômicos, que são negócios de baixas margens e muita competição", avalia Serrentino.
Em números
- A companhia informou que fechou 298 das 11 mil lojas que possui e que está revisando seu quadro
- Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e avalia recuperação extrajudicial ou judicial
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.