O avanço do crime organizado no comércio ilegal de cigarros provocou nos últimos dois anos o fechamento de 21 fábricas clandestinas no Brasil que falsificavam marcas originárias do Paraguai.
O movimento ganhou força com mão de obra estrangeira e, segundo órgãos de fiscalização, análoga à escravidão.
O cigarro fabricado no país vizinho faz uma longa jornada para chegar aos consumidores brasileiros e, apesar disso, custa menos da metade dos valores praticados no Brasil, o que impulsiona esse mercado.
O crime organizado, porém, passou a instalar fábricas ilegais no país para reduzir custos com transporte e tributação e o risco de perder as cargas em operações nas rodovias para coibir o contrabando.
A solução encontrada foi a de falsificar marcas paraguaias, que já estão presentes no dia a dia dos consumidores brasileiros.
Uma pesquisa do Ipec encomendada pelo FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) —que fez o levantamento das indústrias fechadas— mostra que o mercado ilegal responde por 32% do consumo no país.
Desde 2012, foram fechadas 81 indústrias ilegais em 13 estados de todas as regiões, prática que ganhou tração nos últimos anos. De 2022 a maio deste ano, dado mais recente, foram fechadas 41 fábricas clandestinas.
Os casos estão concentrados no Sudeste, com 55 unidades, seguidos pelo Sul (13), Nordeste (10), Centro-Oeste (2) e Norte (1).
Só em São Paulo foram 28 fábricas, em cidades como Mogi Mirim, Santa Isabel, Embu-Guaçu, Ribeirão Preto, Itatiba, Getulina, Americana, Salto, Tatuí e Ourinhos.
Nessa última, uma operação do MPT (Ministério Público do Trabalho) em julho do ano passado encontrou em uma fábrica clandestina 14 trabalhadores paraguaios que eram submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão.
A estimativa do órgão é que a fábrica ilegal tinha capacidade de produzir cerca de 60 mil maços de cigarros por dia.
O objetivo da operação Chrysós (ouro, em grego) era desarticular a organização criminosa que explorava paraguaios por meio de contratos feitos no país vizinho. Eles foram trazidos ao Brasil por via terrestre, após cruzarem a fronteira entre os países em Guaíra (PR).
O alojamento em que ficaram era insalubre e, além da jornada extensa, passaram dias comendo somente bolachas, segundo relataram à fiscalização. Após os trâmites legais, as 14 vítimas foram levadas a Ciudad del Este para voltarem para seus municípios de origem.
Todos esses casos, sem exceção, envolvem mão de obra paraguaia e, muitas vezes, maquinário sucateado, que passa a fronteira como se fosse sucata ou peças de gráfica, pois são semelhantes", afirmou Luciano Stremel Barros, presidente do Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras).
Em números
- A estimativa do órgão é que a fábrica ilegal tinha capacidade de produzir cerca de 60 mil maços de cigarros por dia
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.