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Economia Revisado por ULTRA AI

Avanço do crime organizado impulsiona falsificação de cigarros paraguaios no Brasil

Fábricas clandestinas buscam driblar riscos do contrabando terrestre

3 min de leitura
Avanço do crime organizado impulsiona falsificação de cigarros paraguaios no Brasil

O avanço do crime organizado no comércio ilegal de cigarros provocou nos últimos dois anos o fechamento de 21 fábricas clandestinas no Brasil que falsificavam marcas originárias do Paraguai.

O movimento ganhou força com mão de obra estrangeira e, segundo órgãos de fiscalização, análoga à escravidão.

O cigarro fabricado no país vizinho faz uma longa jornada para chegar aos consumidores brasileiros e, apesar disso, custa menos da metade dos valores praticados no Brasil, o que impulsiona esse mercado.

O crime organizado, porém, passou a instalar fábricas ilegais no país para reduzir custos com transporte e tributação e o risco de perder as cargas em operações nas rodovias para coibir o contrabando.

A solução encontrada foi a de falsificar marcas paraguaias, que já estão presentes no dia a dia dos consumidores brasileiros.

Uma pesquisa do Ipec encomendada pelo FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) —que fez o levantamento das indústrias fechadas— mostra que o mercado ilegal responde por 32% do consumo no país.

Desde 2012, foram fechadas 81 indústrias ilegais em 13 estados de todas as regiões, prática que ganhou tração nos últimos anos. De 2022 a maio deste ano, dado mais recente, foram fechadas 41 fábricas clandestinas.

Os casos estão concentrados no Sudeste, com 55 unidades, seguidos pelo Sul (13), Nordeste (10), Centro-Oeste (2) e Norte (1).

Só em São Paulo foram 28 fábricas, em cidades como Mogi Mirim, Santa Isabel, Embu-Guaçu, Ribeirão Preto, Itatiba, Getulina, Americana, Salto, Tatuí e Ourinhos.

Nessa última, uma operação do MPT (Ministério Público do Trabalho) em julho do ano passado encontrou em uma fábrica clandestina 14 trabalhadores paraguaios que eram submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão.

A estimativa do órgão é que a fábrica ilegal tinha capacidade de produzir cerca de 60 mil maços de cigarros por dia.

O objetivo da operação Chrysós (ouro, em grego) era desarticular a organização criminosa que explorava paraguaios por meio de contratos feitos no país vizinho. Eles foram trazidos ao Brasil por via terrestre, após cruzarem a fronteira entre os países em Guaíra (PR).

O alojamento em que ficaram era insalubre e, além da jornada extensa, passaram dias comendo somente bolachas, segundo relataram à fiscalização. Após os trâmites legais, as 14 vítimas foram levadas a Ciudad del Este para voltarem para seus municípios de origem.

Todos esses casos, sem exceção, envolvem mão de obra paraguaia e, muitas vezes, maquinário sucateado, que passa a fronteira como se fosse sucata ou peças de gráfica, pois são semelhantes", afirmou Luciano Stremel Barros, presidente do Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras).

Em números

  • A estimativa do órgão é que a fábrica ilegal tinha capacidade de produzir cerca de 60 mil maços de cigarros por dia

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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