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Economia Revisado por ULTRA AI

Ajuda financeira aos filhos adultos muda planos de aposentadoria dos pais

Jovens ficam mais tempo na casa da família e elevam a pressão no orçamento

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

O representante comercial Mário Sérgio Caetano, 61, mora com a esposa e os dois filhos adultos na zona sul de São Paulo. Com 22 e 25 anos, eles têm a maioria de suas despesas pagas pelo pai.

Durante o período da faculdade dos dois, encerrado no fim do ano passado, Mário Sérgio destinava de 15% a 20% da renda às mensalidades, e ainda separava uma parcela dos ganhos para a própria aposentadoria, hábito que mantém até hoje.

O caso ilustra o desafio de famílias que precisam equilibrar a ajuda financeira aos filhos com o planejamento de longo prazo.

A dificuldade de acesso à moradia própria é um dos fatores que ajudam a explicar essa permanência mais longa. Segundo pesquisa da Ipsos-Ipec encomendada pelo Grupo QuintoAndar, 47% dos integrantes da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) dizem não ter dinheiro para dar entrada ou financiar um imóvel.

Luiz Guilherme Hartmann, planejador financeiro CFP pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), afirma que o apoio financeiro aos filhos adultos pode ser incorporado ao orçamento dos pais sem comprometer o planejamento da aposentadoria, desde que tenha limites e prazo definidos.

Quando a ajuda tem um objetivo definido, cabe na renda e é acompanhada por um plano de transição, ela pode contribuir para a autonomia do jovem sem comprometer a segurança financeira dos pais", afirma.

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Carol Stange, consultora em finanças pessoais, afirma que o aumento dos aluguéis, o prolongamento dos estudos e as mudanças no mercado de trabalho ajudam a explicar por que os jovens permanecem mais tempo na casa dos pais ou continuam recebendo ajuda financeira.

Para os pais, isso significa que o planejamento da aposentadoria precisa considerar um período de dependência financeira dos filhos potencialmente mais longo do que o observado em gerações anteriores.

O planejamento financeiro que ignora esse dado está planejando para um Brasil que não existe mais", afirma Stange.

Isso não significa, porém, que a ajuda aos filhos deva vir antes da formação da reserva para o futuro dos pais. "A contribuição para a própria aposentadoria precisa entrar na rotina como um compromisso fixo, tipo um financiamento em que a parcela é para si próprio, e não como uma opção que se cumpre quando dá", diz.

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ATÉ QUANDO OS PAIS DEVEM AJUDAR FINANCEIRAMENTE OS FILHOS.

Hartmann diz que não existe uma idade padrão para o encerramento do suporte financeiro. Segundo o especialista, a decisão depende da capacidade dos pais, das necessidades essenciais do filho e da existência de um caminho para a autonomia.

Uma alternativa consiste em manter temporariamente despesas básicas, como moradia e alimentação, enquanto gastos relacionados ao padrão de consumo passam gradualmente para a responsabilidade do jovem adulto", afirma Hartmann.

O especialista recomenda acompanhar cinco aspectos da vida financeira da família, que funcionam como referências para avaliar quanto apoio cabe no orçamento.

Manutenção dos aportes para a aposentadoria.

Preservação da data planejada para a saída do mercado de trabalho.

Reserva de emergência disponível para imprevistos.

Evolução do patrimônio conforme os objetivos estabelecidos.

Concessão do auxílio sem necessidade de assumir novas dívidas.

Se algum desses indicadores se afastar da meta, Hartmann diz que é o momento de revisar as despesas e definir um valor de auxílio compatível com a realidade da família.

Segundo ele, preservar a própria segurança financeira também amplia a capacidade de continuar apoiando os filhos ao longo do tempo.

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COMO EVITAR CONFLITOS NA HORA DE REDUZIR A AJUDA.

Stange diz que o conflito costuma surgir quando a mudança no apoio financeiro acontece de forma inesperada.

Segundo ela, um dos sinais de alerta que os pais devem acompanhar é a falta de planejamento financeiro por parte do filho, como a ausência de uma reserva de emergência, de controle dos gastos ou de uma meta de independência definida.

O exercício de conversar sobre dinheiro e estimular os filhos a construírem a própria autonomia é algo que Mário Caetano procura fazer em casa. Ele conta que costuma orientá-los a guardar dinheiro para realizar os próprios desejos.

A ideia é ensinar a pescar, não pescar para eles. Que eles aprendam a trazer para eles o alimento deles", diz.

COMO ORGANIZAR O PATRIMÔNIO PARA A APOSENTADORIA.

Não existe um percentual universal da renda que deva ser destinado à aposentadoria, afirma o planejador financeiro Bruno Guimarães. O ideal para o planejamento é começar pela renda que se pretende ter no futuro e, a partir daí, calcular o patrimônio necessário e os aportes para chegar a esse objetivo.

Antes de investir para o longo prazo, porém, Guimarães recomenda organizar as finanças da família e constituir uma reserva. A partir daí, o investidor pode definir quanto direcionar à aposentadoria e distribuir os aportes de acordo com seus objetivos.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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