O dólar abriu próximo da estabilidade nesta sexta-feira (28) com os investidores à espera do discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), Kevin Warsh, no encontro promovido em Jackson Hole, nos EUA.
Lista completa
- BC faz leilão de dólares em meio à saída de recursos estrangeiros do país.
- Inflação nos EUA continua elevada em julho; PIB do 2º trimestre permanece inalterado em 1,5%.
- Com Lula ou Flávio, economistas mantêm ceticismo sobre ajuste fiscal.
A expectativa é que Warsh dê indicativos sobre os próximos passos do Fed sobre a taxa de juros. Os economistas vêm avaliando que a taxa deve voltar a subir até o final deste ano.
Atualmente, os juros estão entre 3,5% e 3,75%.
Durante o dia, investidores reagindo a dados do mercado de trabalho brasileiro e de inflação dos EUA. Incertezas sobre o controle do estreito de Hormuz, importante rota para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito, e o simpósio de Jackson Hole também estiveram no radar.
Na quinta de manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que a taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,3% no trimestre até julho, após marcar 5,8% nos três meses encerrados em abril.
O indicador é o menor para o trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, os dados reforçam a resiliência do mercado de trabalho brasileiro.
Permanece como um desafio para o cenário inflacionário e para a condução da política monetária. A combinação entre desemprego historicamente baixo, massa salarial em níveis recordes e rendimentos em recuperação tende a dificultar uma desaceleração mais consistente dos preços", afirma.
Na última quarta-feira (27), o IBGE mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação de 0,4% em agosto. A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos.
Segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA encerre 2025 a 5,02%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o indicador.
Para os analistas, a Selic, taxa básica de juros brasileira, deve terminar a 13,75% ao ano —redução de 0,25% em relação ao patamar atual de 14%.
Uma Selic mais baixa tende a beneficiar a Bolsa e outros ativos de renda variável. A queda dos juros, contudo, diminui a atratividade da estratégia de carry trade, isto é, tomar recursos em economias com taxas mais baixas, como a americana, e aplicá-los na brasileira para lucrar com essa diferença percentual.
Também esteve no radar dos investidores um "casadão" do BC no mercado cambial. A autarquia anunciou dois leilões simultâneos: um de venda à vista de dólares e outro de swap cambial reverso.
Essas operações são realizadas para injetar liquidez no mercado à vista.
No exterior, o mercado esteve em compasso de espera pelo simpósio anual do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em Jackson Hole. O evento terá discurso do presidente da instituição, Kevin Warsh, na sexta-feira (28), e deve trazer novas sinalizações sobre a trajetória dos juros americanos.
Warsh deve comentar os indicadores inflacionários dos últimos dias. Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE.
A inflação anual dos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed e reforça as expectativas de juros mais altos, favorecendo o dólar e outros ativos americanos.
A fala de Warsh será particularmente importante devido ao posicionamento considerado enigmático no último comunicado do Fed. Os investidores ainda não têm uma visão consolidada sobre como a instituição irá atuar no curto prazo e qual será a trajetória dos juros nos próximos meses", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
Investidores também mantiveram no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã. Na quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito.
Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. A declaração aumentou a dúvida sobre o anúncio, já que, segundo a Guarda Revolucionária, a medida só será implementada quando os EUA concordarem com seus termos.