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Teresa Cristina marca posição no bloco de sambas do primeiro álbum autoral da discografia, 'Tudo que eu

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Teresa Cristina marca posição no bloco de sambas do primeiro álbum autoral da discografia, 'Tudo que eu

Cantora revelada como intérprete em 1998 no circuito de bares da Lapa, o então revitalizado bairro boêmio do Centro do Rio de Janeiro (RJ), cidade do samba, Teresa Cristina é cria do subúrbio carioca, celeiro dos pagodes realizados nos quintais, terreiros e quadras.

A geografia carioca está entranhada na alma de “Tudo que eu tenho”, álbum gravado com produção musical e arranjos de Pretinho da Serrinha. Contudo, é a alma da própria Teresa Cristina que rege o samba de “Tudo que eu tenho”, álbum altivo de uma mulher que sabe o quer, inclusive na hora de dialogar com o produtor do próprio disco.

Portando um estandarte negro e feminino ao longo do álbum, Teresa se impõe como compositora em mercado que tentou abafar a produção autoral da artista, cuja discografia recente ficou centrada em songbooks de compositores como Cartola (1908 – 1980), Noel Rosa (1910 – 1937) e Zeca Pagodinho.

Basta dizer que o último álbum em que a cantora tinha dado voz a músicas de lavra própria, “Melhor assim”, foi lançado em 2010, há longos 16 anos. Antes, no álbum de estúdio “Delicada” (2007), a artista conseguira emplacar cinco sambas autorais entre as 16 músicas do disco.

Em essência, o álbum “Tudo que eu tenho” simboliza a tomada de posição da artista na esfera da vida privada e também em âmbito social, político. “Tudo que eu tenho” é samba de terreiro com um toque rural que soa mais realçado em “Nostalgia”, samba que flerta com o universo do calango.

Como já sinalizara o single que anunciou o álbum em 19 de junho, com a gravação do samba “Quando a onda passar” (Teresa Cristina, Mosquito e Xande de Pilares), Teresa Cristina segue padrões do samba no repertório de “Tudo que eu tenho”, segura da própria inspiração, sem inventar moda e sem querer impressionar.

Talvez por sempre ter carregado no canto uma melancolia que dá sentido à sentença do poeta de que “o samba é a tristeza que balança”, Teresa Cristina logo tenha se imposto em cena como fiel tradutora das emoções de bambas como Paulinho da Viola, cujo cancioneiro abordou no primeiro álbum, lançado em 2002.

O balanço de “Notícia boa” – parceria da artista com o compositor e violonista baiano Cezar Mendes – embala essa melancolia na onda sedutora de versos resignados como “Deixo a maré levar / Que a onda vai trazer / Uma notícia boa / O que não deve ser / Não pode acontecer / É ilusão à toa / À toa / À toa” em gravação arranjada por Itamar Assiere.

A resignação também é senhora no samba “Pode acontecer”, parceria de Teresa com Marisa Monte que desliza macio em um salão no sopro do trombone de Antonio Neves.

Samba buliçoso da lavra solitária de Teresa Cristina, “Taturana” evolui leve como a borboleta no ar mencionada em verso da letra, com arranjo que evoca gravações de discos de Zeca Pagodinho e do grupo Fundo de Quintal.

Parceria da compositora com Moacyr Luz, “Yabá” é samba doce que acarinha a entidade feminina afro-brasileira – senhora da natureza e da cura das dores humanas – no arranjo assinado por Paulão Sete Cordas.

Ainda dentro do universo das religiões de afro-brasileira, “Bato pa ó” (Teresa Cristina, Mingo Silva e Bruno Barreto) é samba batuqueiro que adentra as matas para saudar caboclos e orixás.

No arremate do álbum, “Canto para Ogum” aponta a lança aguçada de um samba de toque africano para saudar o orixá nominado no título dessa composição. Esse samba já vinha sendo apresentado por Teresa Cristina em shows, nos últimos anos, ao longo do demorado período de maturação de álbum que se fazia necessário para expandir a obra dessa compositora que veste bem os próprios sambas com a voz que tem.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Pop & Arte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Pop & Artelink

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