Título: Paulinho da Viola convida Maria Bethânia.
Data e local: 8 de agosto de 2026 no festival Doce Maravilha no Jockey Club Brasileiro (Rio de Janeiro, RJ).
Contudo, a participação da cantora no show de Paulinho da Viola – apresentado no início da noite de ontem, sábado, 8 de agosto – frustrou essa alta expectativa pela reduzida interação entre os artistas.
Imponente como de hábito, Bethânia assumiu o protagonismo do reencontro com Paulinho e, após dividir o canto do samba “Falsa baiana” (Geraldo Pereira, 1944) com o anfitrião do show, foi dominando a cena a ponto de o sambista ter virado mero espectador da intérprete convidada quando Bethânia cantou sozinha a balada “As canções que você fez pra mim” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966) e o samba “Reconvexo” (Caetano Veloso, 1989), músicas recorrentes nas apresentações da artista baiana.
Antes, Paulinho tocara e fizera sutis intervenções vocais em “Desde que o samba é samba” (Caetano Veloso, 1993) no que que pode ser classificada como colaboração afetiva no número – algo que se repetiria, com os papéis invertidos, quando o anfitrião puxou o samba que fez para exaltar a Portela, “Foi um rio que passou em minha vida” (Paulinho da Viola, 1969), e que teve alguns versos brevemente cantarolados por Bethânia.
Dueto propriamente dito, além do canto já mencionado do samba “Falsa baiana”, houve somente mais um, no samba “Sei lá, Mangueira” (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968).
Ao fim, após ressaltar que tinha sido “uma honra” cantar com Paulinho da Viola, Bethânia puxou alguns versos da canção praieira “O mar” (Dorival Caymmi, 1940) para sair de cena, deixando no espectador a sensação de que faltou à cantora disposição para mergulhar com mais vontade no universo de Paulinho da Viola.
Afinal, havia um histórico envolvendo esse reencontro, já que os artistas interagiram eventualmente no início das respectivas carreiras nos anos 1960 – e um desses encontros, de 1969, está perpetuado no filme “Saravah” (1972), do diretor francês Pierre Barouh (1934 – 2016) – e fizeram inclusive turnê por alguns países da Europa, em 1972, ocasião em que ambos os cantores fizeram gravações (individuais) para o raro álbum coletivo “Nova bossa nova”, lançado somente na Europa por selo alemão.
Antes da participação protocolar de Maria Bethânia, Paulinho da Viola reiterou a própria nobreza em set solo aberto com o menos conhecido samba “Nas ondas da noite” (Paulinho da Viola, 1971), ao qual se seguiu um punhado de irretocáveis standards atemporais do cancioneiro autoral do compositor, todos devidamente acompanhados em coro pelo público.
Depois do bloco de Bethânia, o cantor reviveu “Timoneiro” (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996) e, em espécie de bis, saudou Clementina de Jesus (1901 – 1987) com o canto improvisado de “Tava dormindo”, tema tradicional de domínio público que Clementina gravou há 60 anos em álbum de 1966.
Ao sair do palco do festival Doce Maravilha, Paulinho da Viola foi devidamente reverenciado como um nobre do samba e do choro. Mas o fato é que até os nobres mais nobres da música brasileira viram meros súditos espectadores diante da imponência da Abelha Rainha da MPB.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Pop & Arte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.