Bruno encerrou o papo celebrando o bom momento da banda. O grupo se apresenta no Rock in Rio, no show Detonautas convida Biquini, no dia 4 de setembro.
Ele refletiu sobre o fato do rock não estar mais tão em evidência como em décadas passadas. "Visibilidade não é sinônimo de sucesso.
Bruno relembrou quando recebeu a notícia da morte do filho, em um acidente de helicóptero, em 2011. "Eu pensava: 'Que que eu faço com esse amor que tinha endereço tão certo.
Bruno disse que a banda sempre quis estar neutra politicamente, usando a música "Zé Ninguém" como exemplo. "Não é uma canção de direita, nem de esquerda, é uma canção do povo.
A menina de 15 anos que ouve Biquini pela primeira vez e ouve 'Timidez', não sabe que foi a música com que o pai conheceu a mãe. A gente nunca abraçou neologismos, gírias, o que dá uma contemporaneidade para as músicas.
Bruno contou que a diversidade do repertório da banda tem a ver com as composições serem assinadas coletivamente. "A gente não tem um estilo, mas tem uma assinatura.
E isso foi determinante pra nossa longevidade.
Ele também falou sobre a participação do Biquini no Rock in Rio nesta edição. "Nós nos oferecemos várias vezes, mas a curadoria é deles. A gente não tinha que ficar fazendo protesto, rebuliço.
Ele falou sobre como foi interessante ser uma das primeiras bandas no Brasil a ter um site. "O que a gente acha que é legal e relevante, que estamos fazendo com uma carga emocional e uma dose de verdade, aquilo é valorizado.
Bruno falou sobre o uso de "Tédio" para "Adultério", versão de Mr. Catra. "Foi uma discussão muito grande. Mas não sou eu que tenho que censurar. Não é o tipo de música que eu ouça ou goste, mas eu ia fazer papel de palhaço [se negasse].
Esse é o melhor momento da nossa história. Já tivemos o holofote em cima da gente, mais presença na casa das pessoas, mas hoje, a gente faz 100 shows por ano em todo o país.
Ele diz que não vê problema se o público for aos shows esperando os clássicos. "Como você abre mão do seu legado para tocar músicas novas.
Para Bruno, a banda deu certo em um clima de "despretensão". "A gente tava no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. Eu icei a vela do barco e me levou para onde eu não podia imaginar.
Eram caras completamente branquelos, não iam pra praia nunca. Eu tava achando o nome muito esquisito", brincou sobre o nome "Biquini Cavadão", que foi sugestão de Vianna.
Bruno começou o bate-papo contando sobre a importância de Herbert Vianna para o Biquini. "Ele era um embaixador do rock, porque sabia que uma andorinha só não faz verão.
Bruno Gouveia, vocalista do Biquini, será entrevistado ao vivo no g1 Ouviu, o podcast e videocast de música do g1, nesta segunda-feira (31), a partir das 16h. A conversa ficará disponível em vídeo e podcast no g1, no YouTube, no TikTok e nas plataformas de áudio.
Em atividade desde 1985, o Biquini retornar ao Rock in Rio após 25 anos com uma apresentação junto com os Detonautas. Em sua trajetória, a banda marcou a história do pop rock nacional com hits como Tédio, Zé Ninguém, vento Ventania, Timidez e Impossível.