Os dados fazem parte do relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil lançado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Na avaliação dos especialistas do Unicef, contudo, os números devem ser ainda maiores. A explicação é a de que muitas vítimas não chegam a comunicar a ninguém o que aconteceu a elas.
Mais de 40% das ocorrências informadas durante a coleta de informações não foram reveladas pelas vítimas. O principal motivo para deixarem de contar é não saber aonde ir ou a quem recorrer.
Cerca de 14% dos crimes ocorreram enquanto as vítimas se divertiam em jogos online. O relatório assinala que o ambiente de jogos online é especialmente propício para o cometimento dessas formas de abuso porque a dinâmica nas relações se baseia em um jogador explorar a confiança do outro.
Mais da metade (57%) dos casos declarados aos pesquisadores envolviam alguém do convívio da criança e do adolescente, incluindo familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas.
O dado contraria o imaginário de que a violência online é perpetrada principalmente por estranhos.
Ao mesmo tempo, ressalta o relatório, 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet, indicativo de que contas fake e o envio de mensagens privadas facilitam as violações.
Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso", afirmou a diretora-executiva do Unicef Catherine Russell.
O relatório foi produzido a partir das percepções de 21 mil crianças e adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, provenientes de 21 países, entre 2020 e 2025. Nas entrevistas realizadas com os participantes, observou-se como agressores exercem poder sobre as vítimas não somente as convencendo a agir de determinadas maneiras mediante presentes, dinheiro e atenção, mas também por meio da coerção.
Uma jovem brasileira relatou como seu agressor a chantageou, ameaçando encaminhar à mãe dela mensagens anteriores trocadas entre os dois, caso ela não mandasse a ele mais uma foto.
Outra entrevistada comentou que, por anos, vasculhou a internet para garantir que nenhuma imagem sua, inclusive criada como montagem, estivesse circulando sem seu consentimento.
O Brasil teve 19% dos entrevistados marcados por este tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes, e uma parcela de menos de 1% de ocorrências denunciadas.
Em números
- O relatório foi produzido a partir das percepções de 21 mil crianças e adolescentes com idade entre 12 e 17 a
- Unicef: 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual onli
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