Ir para o conteúdo
Brasil Revisado por ULTRA AI

Risco de desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

Obstáculos e soluções para o problema estão na pauta de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais do Brasil que participarão da 17ª Conferênc

6 min de leitura
Brasil — imagem padrão

O termo pode causar estranhamento, já que o país não possui desertos como o Atacama, no Chile, e o Saara, no norte da África. Lugares onde o clima seco e a escassez de água são extremos.

Desertificação, porém, é um termo mais amplo, que indica o processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter água e sustentar vida.

Isso ocorre principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e também por variações climáticas. Quanto mais avançado o processo, maior o risco de uma região virar um deserto.

Cerca de 18% do território brasileiro é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Obstáculos e soluções para o problema estão na pauta de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais do Brasil que participarão da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia, entre os dias 17 e 28 de agosto.

A coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que o problema atinge principalmente populações vulneráveis e comunidades tradicionais.

Ela reforça, porém, que a degradação da terra não é um problema exclusivo de quem vive nela.

Entre os anos de 2000 e 2020, a área afetada pela desertificação no Brasil passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados, um aumento de 170 mil km², que equivale à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

O fenômeno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, mas chega também ao norte de Minas Gerais e ao do Espírito Santo, ao nordeste do Rio de Janeiro e ao noroeste do Mato Grosso do Sul.

Nestas áreas, há três tipos de clima: subúmido seco, semiárido e árido. Eles são classificados de acordo com a quantidade de chuva e a evaporação da água, por meio do índice de aridez.

O subúmido seco tem índice de aridez entre 0,50 até 0,65; o semiárido, entre 0,2 e 0,5; e o árido, entre 0,05 e 0,2. Quando o número fica abaixo de 0,05 tem-se o clima dos desertos, o hiperárido, que ainda não existe no Brasil.

A primeira região árida do país foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia. A análise foi publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Dos seis biomas brasileiros, a Caatinga é a que concentra os níveis mais graves de deterioração do solo: 11% dela está em situação crítica e severa, o que equivale a 100 mil km2.

Cerca de 42,6% de sua vegetação nativa já foi suprimida.

Proteger a Caatinga é fundamental para a biodiversidade, as pessoas que vivem nela e o clima, explica o pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) Aldrin Martin Pérez-Marín, que também coordena o Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA).

O bioma é monitorado continuamente pelo órgão, em parceria com mais de 30 universidades e instituições nordestinas. Um levantamento conjunto mostrou que a Caatinga aproveita o carbono com uma eficiência de 58%, maior que a de todos os outros biomas brasileiros.

Essa contribuição é fundamental na luta contra o aquecimento global, já que o excesso de carbono na atmosfera retém calor e intensifica o efeito estufa.

Um estudo publicado na revista Science of the Total Environment, em 2025, confirmou esse protagonismo. Só em 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do Brasil, compensando parte significativa das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

O pesquisador do Insa alerta que o Brasil precisa brigar para que a Caatinga seja citada explicitamente no texto científico que será negociado durante a COP17. Caso isso não ocorra, o semiárido tropical ficaria fora do radar científico oficial da Convenção até 2030.

O Brasil se tornou signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) em 1997, o que significou assumir acordos para prevenir e reverter os efeitos da degradação da terra.

Em março de 2026, foi lançado oficialmente o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043). O plano prevê o enfrentamento da desertificação como política pública que articula meio ambiente, educação, saúde, assistência social, infraestrutura, acesso à água, inclusão produtiva e inovação tecnológica.

Outra iniciativa, lançada em junho deste ano, foi o Programa Recaatingar. O biólogo Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, explica que a meta é a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas do bioma nos próximos 20 anos.

O foco é promover segurança hídrica, restauração socioprodutiva e adaptação às mudanças climáticas, com base no conhecimento tradicional das comunidades locais.

O pesquisador do Insa, Aldrin Martin Pérez-Marín, atesta a efetividade do recaatingamento. Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social já produziu 36 mil hectares em conservação, 2 mil hectares em recuperação ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas de volta à paisagem.

A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), formada por mais de 3 mil organizações da sociedade civil, atua há mais de 25 anos na promoção de soluções e tecnologias que ajudam as comunidades impactadas pela desertificação.

Um dos principais exemplos de atuação da ASA é no desenvolvimento de programas de captação de água da chuva. Parte deles foca na construção de cisternas e pequenas barragens para garantir que famílias tenham acesso à água potável, além de garantir água para produção de alimentos e consumo dos animais.

Outras iniciativas são focadas no fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga e técnicas agrícolas que respeitam a biodiversidade do bioma.

A Agência Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

Nos próximos dias, a Agência Brasil publica uma série de matérias com informações sobre a conferência e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.

Em números

  • Ento de 170 mil km², que equivale à soma dos territórios de Perna
  • A primeira região árida do país foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia
  • Ves de deterioração do solo: 11% dela está em situação crítica e severa, o que equivale a 100 mil km2
  • Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social já produziu 36 mil hectares em conservação, 2 mil hectares em recupe

Fontes

Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Agência Brasillink

Leia também

Mais em Brasil