Moradora de Tocantinópolis, Maria de Fátima pegou uma van até Araguaína (TO) a mais de duas horas de distância de casa, madrugou na rodoviária para cedinho encarar mais mil quilômetros até a capital do país.
Foram mais de 15 horas de viagem. Chegou no sábado (6) e descansou um pouco para assistir ao nascer do sol de dentro do ônibus.
Maria de Fátima morou em Brasília nos anos 1980 quando foi doméstica. Voltou para o Tocantins para recomeçar. Foi quebradeira de coco. Depois, continuou em empregos precários, inclusive catou latinhas para cumprir o sonho de comprar um sax para tocar.
Conseguiu estudar e se formou no ano passado em licenciatura de educação no campo. “Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira. É muito lindo isso aqui”.
Brasilienses que moram na periferia da capital também madrugaram para chegar cedo à Esplanada. Entre eles, o casal, Jorge Fernandes, de 55 anos, que é pintor de casa, e Adabel Daiane, de 42, dona de casa.
Eles foram acordados por Maria Alice, de 8, que antes das 4h pediu para vir logo ao desfile. Pegaram um ônibus de Sobradinho 2.
Outro ex-militar, Maurício Batista, de 33, colocou a bandeira do Brasil sobre a camisa, como faz a cada ano. “Eu fico emocionado mesmo”.
Também estava sensibilizada a família do paratleta dos 100 metros rasos, Leonardo Carvalho, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Ele iria desfilar.
Preocupado com o horário, acordou antes das 4h da manhã. Ao chegar à rodoviária, viu a luz do amanhecer e correu. Não era novidade para quem redescobriu a vida em velocidade.
A mãe, Maura, e toda a família que o acompanhava, sorriu com a pressa do rapaz. “Ele ama estar aqui e o esporte. Ele fica ansioso e a gente na torcida por tudo dar certo na vida dele”.
O desfile ainda não tinha começado, mas eles já chamavam o momento de “inesquecível”.
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