Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o aumento foi determinado principalmente pela valorização dos produtos vendidos aos estadunidenses.
Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", disse Brandão ao informar os dados da balança comercial de agosto.
Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento das vendas em valor estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café.
Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que foram excetuados das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Brandão afirmou que as oscilações são esperadas diante das diferentes interferências que atingem o comércio entre os dois países.
Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo, então, é esperado que tenham essas oscilações, por conta dessas interferências, não só dados os produtos diretamente afetados, quanto pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes da economia", avaliou.
Segundo o Mdic, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi afetado pelas tarifas.
Brandão ressaltou que ainda é cedo para medir os efeitos de um eventual redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados.
Nós precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento", afirmou.
Enquanto as vendas aos Estados Unidos oscilaram sob o efeito das tarifas, as exportações brasileiras para a União Europeia tiveram forte avanço em agosto.
Entre os principais produtos vendidos aos europeus estão petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina.
Para Brandão, o desempenho reúne diferentes fatores, entre eles as condições de mercado e os efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
São produtos que o Brasil é muito competitivo e que tem uma demanda internacional crescente", disse o diretor.
São vários fatores. Temos relatos de exportadores que já estão se beneficiando do acordo [Mercosul-UE] nesse período, mas também tem as condições de mercado e de oferta influenciando", explicou.
Entre essas condições, Brandão citou o aumento da demanda por combustíveis em razão do conflito no Oriente Médio e a maior procura por cobre associada ao aquecimento do setor de tecnologia.
O diretor ponderou, porém, que ainda faltam dados completos fornecidos pelos importadores europeus para dimensionar com precisão o efeito do acordo sobre as exportações brasileiras.
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