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Operadores condenados pela Lava Jato criaram ‘banco do crime’ para lavar dinheiro do PCC, diz MP

Denúncia afirma que grupo transformava dinheiro vivo em transferências bancárias, usava empresas de fachada e movimentou quantias bilionárias; 19 pessoas foram

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Brasil — imagem padrão

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira clandestina que funcionava como um “banco do crime” para integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC).

  • Paulo Rogério Silva (vulgo “Paulo Barão”).
  • Alexandre Viriato da Silva (vulgo “Gordão”).
  • André de Souza Haddad (vulgo “Minhoca”).
  • Antônio Carlos Sampaio (vulgos “Kaká” ou “Compadre”, foragido).
  • Danillo Vinícius da Silva Rosário (vulgo “Brigadeiro”).
  • Leonardo Monteiro Moja (vulgo “Léo do Moinho”).
  • Alexandre Salles Brito (vulgo “Buiú”).
  • Raphael Flores Rodriguez (vulgo “Batata”, foragido).
  • Amjad Ahmad (vulgo “Amin”, foragido).
  • Ex-chefe da PM de SP é citado em investigação sobre atuação de policiais em segurança de empresa de ônibus ligada ao PCC.
  • Ex-chefe da PM de SP citado em operação contra o PCC já havia sido mencionado em outras investigações.
  • Aniversário general': coronel da PM de SP estava em.
  • Policiais Militares de alta patente de SP são citados em operação contra operadores do PCC.

Segundo a denúncia, o esquema reuniu operadores financeiros com histórico em outros grandes casos de lavagem de dinheiro e integrantes ligados ao tráfico de drogas.

Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, e a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, personagens que aparecem em investigações anteriores, incluindo a Operação Lava Jato.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, o “Paulo Barão”, estavam no centro da estrutura financeira.

Segundo a denúncia, os três são operadores implicados em diferentes investigações e ações penais e movimentaram “quantias bilionárias” ao longo de suas atividades.

Para o MP, a estrutura funcionava como uma central de serviços financeiros ilícitos, um “verdadeiro Banco do Crime”, colocada à disposição de integrantes do PCC para esconder a origem e a propriedade de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de outros crimes.

Os integrantes do esquema são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos, a depender da atuação individual de cada denunciado.

Dinheiro vivo virava transferência bancária.

De acordo com a denúncia, a estrutura funcionou ao menos entre 2019 e 2025 e utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Um dos principais serviços era a chamada “troca de TED por vivo”. Segundo o MP, o grupo recebia dinheiro em espécie que sabia ter origem ilícita e, mediante o pagamento de uma comissão, realizava uma transferência bancária de valor correspondente por meio de contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada.

O caminho também funcionava no sentido inverso: recursos recebidos pelo sistema bancário podiam ser convertidos em dinheiro vivo. Para o MP, essas operações permitiam que valores provenientes principalmente do tráfico e da própria organização criminosa fossem reinseridos na economia formal com aparência lícita.

Mensagens obtidas nos celulares apreendidos nas operações Recidere e Bazaar indicam, segundo a denúncia, que os envolvidos sabiam da origem ilícita dos valores.

O conhecimento sobre a procedência do dinheiro seria levado em consideração inclusive para determinar o “deságio”, ou margem cobrada pela operação.

Segundo o Gaeco, o caso representa uma espécie de “convergência criminal”: operadores especializados em esconder patrimônio ilícito teriam passado a prestar a mesma estrutura financeira para integrantes do PCC.

A denúncia afirma que Meire Bonfim da Silva Poza, contadora com atuação em esquemas revelados pela Lava Jato, exercia papel essencial na engrenagem. De acordo com o MP, ela elaborava declarações fiscais, analisava documentos tributários e prestava assessoria contábil para dar aparência de legalidade às operações.

Também teria participado diretamente das trocas de transferências bancárias por dinheiro vivo.

Outro denunciado, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, já foi condenado no âmbito da Lava Jato. Segundo o Gaeco, sua participação no novo esquema ia além da condição de cliente: ele teria comprado imóveis em sociedade com outros operadores, negociado veículos, compartilhado caixas com recursos de atividades criminosas e participado de situações envolvendo corrupção policial.

Estrutura teria servido diretamente a integrantes do PCC.

Entre os apontados pelo MP como usuários da estrutura está Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”. Também aparece Alexandre Salles Brito, o “Buiu”, já denunciado anteriormente na Operação Fim da Linha por suspeitas de organização criminosa e lavagem relacionadas ao PCC e à empresa de ônibus UpBus.

Para os promotores, a relação entre os operadores financeiros e o PCC não se resumia à prestação eventual de serviços. A denúncia afirma que os acusados conheciam termos internos da facção, participavam de sessões do chamado “tribunal do crime” e chegavam a recorrer ao poder de coerção da organização para solucionar disputas patrimoniais próprias.

A denúncia também afirma que a estrutura recorria à corrupção de agentes públicos para garantir a continuidade de suas atividades. Segundo o Gaeco, Marlon Antonio Fontana intermediava e operacionalizava pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis.

Esses episódios são objeto de outra investigação, da Operação Bazaar, que, segundo o MP, identificou uma prática de “corrupção sistêmica” utilizada pelos operadores financeiros para garantir impunidade e continuidade das atividades do grupo.

O Gaeco informou ainda que enviou cópia integral dos autos para subsidiar a abertura de inquéritos na Justiça Militar sobre possíveis crimes atribuídos aos coronéis José Augusto Coutinho, Luiz Carlos Pereira Martins e um terceiro identificado como “Patricio”.

Parte dos fatos identificados pelo Gaeco foi separada para novas investigações. Entre eles estão outros operadores suspeitos de fazer “TED por vivo” e “ticketagem”, além de movimentações atribuídas a Danillo Vinicius da Silva Rosario.

O Ministério Público pediu ainda a manutenção das prisões preventivas e do sequestro de bens e valores já determinados no decorrer das investigações. A denúncia registra que há acusados foragidos.

Leonardo Meirelles, por exemplo, é apontado pelo MP como foragido em razão de uma condenação definitiva por associação para o tráfico de drogas.

Em números

  • O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira cland

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