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Brasil Revisado por ULTRA AI

O colapso climático que levou à 'Odisseia' e pode se repetir

Enredo de história milenar que está nos cinemas mostra o colapso da civilização por causa da falta de água. Agora, cientistas questionam se corremos o mesmo ris

5 min de leitura
O colapso climático que levou à 'Odisseia' e pode se repetir

O mais recente sucesso de bilheteria do diretor Christopher Nolan transportou milhões de espectadores a um mundo de mares tempestuosos e cidades em chamas.

Com exceção dos monstros, esse é um mundo baseado na realidade. A Odisseia – uma história de sobrevivência num contexto pós-Guerra de Tróia – se passa durante o colapso da civilização na Idade do Bronze.

De acordo com um novo estudo, essa situação de crise foi causada por uma grave mudança climática. Na pesquisa, os autores alertam sobre "implicações para o futuro.

Os cientistas já sabem há muito tempo da existência de seca misteriosa e severa que ocorreu há mais de 3 mil anos, coincidindo com a desintegração de reinos e estados em toda a região do Mediterrâneo.

Mas a pesquisa publicada no mês passado lança luz sobre a possível causa dessa crise. De acordo com o estudo, uma tendência lenta de ressecamento, combinada com um ciclo natural mais rápido de clima seco, acabou se sobrepondo e intensificando o fenômeno.

No final da Idade do Bronze, o sistema de monções da África Ocidental já vinha se reduzindo havia milhares de anos, transformando um Saara verde em deserto. Menos chuvas na África significaram menos chuvas no Mediterrâneo.

Essa tendência se intensificou quando a região passou por um período de seca causado por ciclos climáticos naturais do Atlântico, que fazem com que a região oscile entre períodos úmidos e de estiagem que duram décadas.

Katherine Power, pesquisadora da Universidade de Estocolmo que liderou o estudo, afirma que as condições ambientais da época poderiam explicar a migração em massa e os conflitos da era da Odisséia.

Há décadas, os estudiosos vêm especulando sobre a razão por trás desse movimento em grande escala durante o período — também conhecido como a era dos "Povos do Mar.

Arqueólogos argumentam que as mudanças climáticas poderiam ajudar a explicar a migração e o colapso político no final da Idade do Bronze. Agora, as novas descobertas acrescentam mais peças a esse quebra-cabeça.

Não sabemos necessariamente por que essas pessoas se deslocaram", diz Power. "Mas se pudermos dizer que o clima estava ficando cada vez mais difícil para a sobrevivência, essa poderia ser uma possível causa.

Essa situação, afirma a pesquisadora da Universidade de Estocolmo, é relevante para os dias de hoje. Os principais rios da Europa estão com níveis recordes de baixa, e a estiagem está criando condições para incêndios florestais devastadores, além de causar perdas históricas nas colheitas.

A França, por exemplo, enfrenta a menor safra de milho em 50 anos.

Os mesmos ciclos de umidade e seca provenientes do Atlântico ainda existem, mas agora ocorrem no contexto de um mundo que está se aquecendo como resultado da queima de petróleo, gás e carvão pelos seres humanos.

Acho que isso é ainda mais alarmante e representa uma ameaça ainda maior", argumenta Power.

Eric H. Cline, arqueólogo da Universidade George Washington, autor de um livro sobre as origens da crise da Idade do Bronze, acrescenta que a seca e as doenças fizeram parte da "tempestade perfeita de calamidades" que levou ao colapso da sociedade naquela época.

Ele vê paralelos entre a crise na Idade do Bronze e o contexto atual. À DW, Cline diz que "devemos ficar muito preocupados" com a possibilidade de que as mudanças climáticas se tornem um fator de estresse para o colapso da civilização.

Mas o arqueólogo afirma que, nos momentos mais otimistas, acredita que a humanidade vai "cair em si e evitar essa possibilidade em algum momento.

A pesquisa de Power buscou desvendar os padrões por trás dos eventos isolados de seca na Idade do Bronze.

Foram examinados esporos de plantas, núcleos de gelo, rochas de cavernas e outros registros naturais que indicavam a ocorrência de estiagem. Em seguida, a pesquisadora e a coautora, a paleoclimatologista Qiong Zhang, também da Universidade de Estocolmo, recorreram à modelagem para obter uma visão mais ampla do contexto geral da época.

O modelo analisou todo o planeta, sobreposto por uma grade em que cada célula abrangia uma área de aproximadamente 125 quilômetros quadrados. Um supercomputador calculou então as condições em cada uma dessas células, para cada mês, ao longo de milhares de anos.

Isso permitiu que as cientistas analisassem toda a região do Mediterrâneo.

Não estamos limitados a apenas um núcleo ou uma caverna", disse Power. "Podemos enxergar mais longe e construir um panorama completo.

O que as pesquisadoras descobriram não foi um único evento que alterou o clima de forma dramática e repentina. Em vez disso, ciclos mais curtos de umidade e seca se alinharam a uma tendência mais longa de aquecimento.

Quando procuramos conexões entre as mudanças climáticas e as mudanças na civilização, muitas vezes estamos à procura daquele evento grande, gigantesco, abrupto e catastrófico", aponta Power, acrescentando que são mudanças lentas e graduais que levam uma sociedade a "ultrapassar um limiar.

Segundo a pesquisadora, poderia ter sido uma queda constante no abastecimento de água que levou a um declínio gradual nas colheitas, o que fez pessoas migrarem, desencadeando conflitos.

Fontes consultadas

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