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Informação vs. Desinformação: A Verdade Sobre as Mudanças Tributárias e o Uso do Tema nas Eleições

Entenda o que mudou na legislação tributária, como discursos políticos distorcem dados fiscais e saiba onde denunciar conteúdos enganosos nas eleições.

7 min de leitura
Informação vs. Desinformação: A Verdade Sobre as Mudanças Tributárias e o Uso do Tema nas Eleições

Entenda o que de fato mudou na legislação tributária nacional, como funciona a fiscalização contra fake news e os canais oficiais para denunciar propaganda eleitoral enganosa.

A Instrumentalização Política do Sistema Tributário

Com o avanço do calendário eleitoral, a pauta econômica tornou-se o centro dos debates políticos e das campanhas na televisão, rádio e redes sociais. Entre os tópicos de maior apelo popular, a legislação tributária brasileira vem sendo frequentemente utilizada em peças publicitárias de forma descontextualizada. Uma das narrativas mais difundidas em propagandas recentes afirma categoricamente que "27 novos impostos foram criados para prejudicar a população", uma simplificação que induz o eleitor ao erro ao ignorar a natureza, a finalidade e a origem das alterações fiscais promovidas entre 2023 e 2026.

Especialistas em direito tributário e checadores de fatos alertam que a disseminação de dados fiscais sem o devido contexto técnico configura desinformação, uma estratégia que busca manipular a percepção pública aproveitando a complexidade do sistema de impostos do país.

O Que É Fato e O Que É Distorção na Pauta dos "27 Impostos"

Para compreender a realidade por trás das alegações veiculadas nas redes e em guias eleitorais, é necessário separar revisões orçamentárias de fato da criação indiscriminada de novas taxas. A lista de 27 medidas frequentemente citada por opositores e analistas engloba um conjunto heterogêneo de decisões administrativas, estaduais e federais com objetivos muito distintos:

  • Não São 27 Novos Impostos: A legislação brasileira não criou 27 novos tributos. O sistema tributário nacional permanece estruturado sob os mesmos impostos previstos na Constituição. O que ocorreu foi um conjunto de reajustes de alíquotas, recomposição de impostos zerados temporariamente em gestões anteriores e ajustes em tarifas de importação.

  • Reonerações e Isenções: Grande parte das medidas refere-se ao fim de renúncias fiscais temporárias — como a volta da cobrança do PIS/Cofins e da CIDE sobre combustíveis —, e não à invenção de novas cobranças.

  • Tributação de Alta Renda e Empresas: Diversas alterações visam o aumento da arrecadação sobre nichos específicos de alta renda ou setores regulados, como a taxação de fundos exclusivos, rendimentos em offshores e empresas de apostas esportivas (bets), que não incidem sobre o consumo da maioria da população.

  • A Reforma Tributária (Unificação de Impostos): As mudanças decorrentes da Reforma Tributária (como a implantação da CBS e do IBS) não representam aumento cumulativo de tributos, mas sim a substituição e simplificação de cinco impostos antigos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual.

Guia Didático: Entenda o que Aconteceu com Cada Tributo

Para facilitar o entendimento de todos os leitores, dividimos as 27 medidas em termos simples: Aumentou, Voltou a ser cobrado (Reonerado), Criado do zero ou Unificado/Simplificado (Substituição).

Tributo / MedidaO que aconteceu na prática?O que isso significa para você?Tipo de Mudança
1. PIS/Cofins (Gasolina/Etanol)Voltou a ser cobradoAcabou a isenção temporária do imposto federal no posto.Reoneração
2. CIDE (Gasolina)Voltou a ser cobradoTaxa federal sobre combustíveis que havia sido zerada retornou.Reoneração
3. PIS/Cofins (Diesel/Biodiesel)Voltou a ser cobradoFim do desconto federal no combustível do transporte de cargas.Reoneração
4. ICMS Monofásico (Combustíveis)Aumentou valor fixoEstados padronizaram um valor fixo em reais cobrado por litro.Substituiu cálculo antigo
5. Imposto de Exportação (Petróleo)Criado (temporário)Cobrou 9,2% das empresas que vendem petróleo cru para fora.Medida isolada
6. "Taxa das Blusinhas" (Importação)Criado / AumentouCobrança de 20% de imposto federal para compras até US$ 50.Fim da isenção
7. ICMS Importação (Remessa Conforme)Padronizou em 17%Todos os estados passaram a cobrar a mesma taxa em compras online.Padronização estadual
8. Imposto de Importação (Elétricos)Aumentou gradualmenteCarros elétricos e híbridos importados passaram a pagar até 35%.Recomposição de taxa
9. Imposto de Importação (Painéis Solares)AumentouSubiu a taxa para proteger a indústria nacional de painéis.Ajuste tarifário
10. Imposto de Importação (Aço)AumentouSubiu a taxa de compra de aço de fora do país para até 25%.Ajuste tarifário
11. Imposto de Importação (Fibras Ópticas)AumentouTaxa de importação de cabos subiu de 11,2% para 35%.Ajuste tarifário
12. IRRF sobre OffshoresCriadoTaxa de 15% sobre lucros de investimentos de ricos no exterior.Regra nova (Alta Renda)
13. "Come-Cotas" (Fundos Exclusivos)Mudou a cobrançaCobrança antecipada duas vezes ao ano para fundos milionários.Ajuste de regra
14. Taxa sobre Bets (GGR)CriadoImposto cobrado das empresas donas dos sites de apostas.Regulamentação
15. IRPF sobre Prêmios de ApostasCriadoDesconto de 15% de imposto para quem ganha prêmios nas apostas.Regulamentação
16. PIS/Cofins (Receitas Financeiras)AumentouVoltou a cobrar alíquota cheia sobre receitas de grandes empresas.Fim de corte
17. IRPJ/CSLL (Subvenções de ICMS)AumentouEmpresas pagam imposto federal sobre incentivos estaduais.Ampliação de base
18. IOF (Operações Financeiras)AumentouReajustes pontuais em taxas de empréstimos e câmbio.Ajuste pontual
19. IPI (Armas de Fogo)AumentouImposto sobre armas de fogo subiu de 29,25% para 55%.Ajuste de alíquota
20. IPI (Munições)AumentouImposto sobre munições subiu de 13% para 25%.Ajuste de alíquota
21. Reoneração da Folha (17 Setores)Voltou a ser cobradoAs empresas voltam a pagar a taxa previdenciária normal (20%).Retorno gradual
22. Reoneração da Folha (Prefeituras)Voltou a ser cobradoPrefeituras voltam a pagar a taxa previdenciária padrão.Fim de desconto
23. Alíquota Modal do ICMSAumentouVários estados subiram a taxa geral (de 18% para até 22%).Ajuste estadual
24. Contribuição sobre Bens (CBS)Unificado / CriadoJunta PIS, Cofins e IPI em um único imposto federal.Substitui impostos velhos
25. Imposto sobre Bens (IBS)Unificado / CriadoJunta o ICMS (estado) e o ISS (cidade) em um imposto só.Substitui impostos velhos
26. Imposto Seletivo ("Imposto do Pecado")CriadoTaxa extra sobre itens ruins à saúde/ambiente (cigarro, refri).Cobrança focada
27. IPVA (Aeronaves e Embarcações)Aumentou a coberturaDonos de jatinhos, iates e lanchas de luxo agora pagam IPVA.Extensão do IPVA

A Importância do Jornalismo Responsável e o Combate às Fake News

A veiculação de informações falsas ou manipuladas em propaganda eleitoral é uma infração grave à legislação brasileira. O Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) e as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem expressamente a divulgação de fatos sabidamente inverídicos que possam comprometer a lisura do pleito ou influenciar indevidamente a decisão do eleitor.

O jornalismo responsável atua como um filtro indispensável para garantir que o debate público seja pautado em dados auditáveis e pareceres de órgãos oficiais, como a Receita Federal, o Ministério da Fazenda e secretarias estaduais de economia.

Como Denunciar Propaganda Eleitoral Enganosa

O cidadão que identificar conteúdos falsos, montagens ou narrativas manipuladas sobre temas econômicos e sociais em propagandas eleitorais pode e deve utilizar os canais oficiais do Poder Judiciário e de órgãos de controle para realizar denúncias:

  • Aplicativo Pardal (Justiça Eleitoral): Desenvolvido pelo TSE, o aplicativo gratuito permite enviar fotos, vídeos e áudios que comprovem irregularidades ou desinformação em campanhas. As denúncias são encaminhadas diretamente ao Ministério Público Eleitoral (MPE) da região.

  • Sistema de Alerta de Desinformação do TSE: Plataforma online mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral específica para o relato de conteúdos inverídicos espalhados pela internet que atinjam o processo eleitoral ou distorçam políticas públicas com fins panfletários.

  • Ministério Público Eleitoral (MPE): É possível protocolar representações diretamente no site do Ministério Público Federal (MPF) de cada estado, informando o candidato, partido ou coligação responsável pela veiculação da propaganda irregular.

  • Plataformas de Checagem e Veículos de Imprensa: Portais de checagem parceiros do Fato ou Fake e agências independentes mantêm canais abertos para o recebimento de boatos que circulam em aplicativos de mensagem para verificação pública.

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