A edição de 2026 havia recebido número recorde de inscrições de filmes, com 1. 928 obras pleiteando uma vaga. Uma coletiva de imprensa para anunciar a programação completa estava marcada para o dia 18 de agosto.
Mais de 80 filmes estavam confirmados, com envolvimento de centenas de profissionais do audiovisual de todo o Brasil.
Em publicação nas redes sociais, o diretor artístico do festival, Eduardo Valente lamentou o cancelamento. Segundo ele, a seleção de filmes já havia sido feita e todos os envolvidos estavam “empolgados e com planos para suas estreias”.
Ele pediu a união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.
Os organizadores do eventos devem publicar uma nota de repúdio nesta terça-feira (11), repudiando a decisão do governo do Distrito Federal e pedindo que a decisão seja revertida.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, não se manifestou a respeito da decisão de cancelamento do festival. O espaço está aberto para incluir posicionamento do GDF.
Tiago de Aragão, diretor no Centro Oeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), lamentou o cancelamento e o associou à crise instalada no GDF após o escândalo dos bilhões de reais em títulos podres do Banco Master comprados pelo Banco de Brasília (BRB).
Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a decisão do GDF é preocupante também pelo seu potencial de reverberar por outros festivais do país.
Carina Bini é cineasta de Brasília. Na edição do ano passado, subiu ao palco do Cine Brasília com todo o elenco de seu filme Mil Luas para apresentá-lo ao público da cidade.
Hoje, ela lamenta a perspectiva de um auditório vazio e uma tela apagada em setembro.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria, em 2026, à marca de 59 edições. A mostra competitiva estava marcada para ocorrer de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília.
O Festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como um espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
Ao longo das décadas, só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar.
Um diferencial em relações a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.
Fontes
Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.