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Brasil Revisado por ULTRA AI

Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

Jovens e indígenas levantam desafios comuns e cobram respostas para além da COP da Desertificação

5 min de leitura
Brasil — imagem padrão

Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanha comunidades do Corredor Seco Centro-Americano que tentam adaptar a agricultura à falta de água.

Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman conta que a região, historicamente afetada pela seca, teve inundações inéditas que devastaram plantações este ano.

As três histórias foram compartilhadas durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia.

Elas levantam desafios comuns que vão além do evento: como transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina.

Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global (que gira em torno de 15% a 16%). Os dados são da convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades.

Para os representantes latino-americanos, no entanto, a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais ainda é grande.

Xenia López trabalha com 16 comunidades rurais e semi urbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador. A maior parte delas vive principalmente da agricultura.

A região está dentro do Corredor Seco Centro-Americano, uma faixa que se estende desde o sul do México até o oeste do Panamá, e é particularmente vulnerável à irregularidade das chuvas.

Nos últimos anos, Xenia passou a trabalhar com comunidades na adoção de práticas agroecológicas. A preocupação não é apenas com a redução das chuvas, mas também com solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

Segundo a líder, a mudança das práticas permitiu melhorar o aproveitamento da água e a proteção do solo.

São soluções comunitárias, mas os problemas demandam maior apoio de autoridades e organismos internacionais. Xenia lamenta o fato de países como El Salvador e Nicarágua terem governos hostis, que não permitem espaços de reivindicação por iniciativas mais estruturais.

Participantes defendem que conferências como a COP17 permitem construir redes de apoio, dar maior visibilidade às demandas populares e sonhar com um futuro diferente para a região.

No Chaco Americano, na Argentina, Antonella Sleiman vive outro tipo de transformação.

A região do Rio Salado Norte sempre conviveu com a seca. Neste ano, porém, tiveram de lidar com o outro extremo. Comunidades que haviam aprendido a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em uma escala que, segundo ela, não era observada havia cerca de 50 anos.

As famílias produzem milho, abóbora e outros alimentos principalmente para consumo próprio e para o comércio local. Também criam cabras, ovelhas, vacas e porcos.

Com as inundações, perderam parte das plantações e da vegetação utilizada naturalmente para alimentar os animais.

Professora de escolas rurais e promotora territorial da Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), Antonella participa também da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de oito organizações camponesas e indígenas distribuídas em uma área de cerca de 80 quilômetros.

Todos os meses, o grupo debate problemas de terra, água, produção, agricultura e juventude.

Antonella, assim como Xenia, integra a Plataforma Semiaridos, iniciativa formada por 16 instituições representativas de 10 países da América Latina. Ela espera que as demandas do seu povo tenham ecoado durante a COP17 e que novos espaços sejam abertos a partir do evento.

Na Amazônia peruana, Gilmer Yuimachi observa outra dimensão da degradação ambiental. Indígena do povo shipibo-konibo, ele atua pela Associação Intercultural Bari Wesna junto a comunidades de Ucayali e de outras regiões amazônicas.

Segundo Yuimachi, períodos prolongados de seca reduzem os níveis de rios, lagos e igarapés utilizados para consumo, pesca, agricultura e criação de animais.

Alterações no regime de chuvas também prejudicam cultivos fundamentais para a alimentação das comunidades, entre eles mandioca, milho, feijão e arroz. Mas ele enfatiza que reduzir o problema a perdas econômicas seria insuficiente.

Ao mesmo tempo, Yuimachi rejeita a imagem dos povos indígenas apenas como vítimas da crise ambiental.

Nem todos os jovens latino-americanos que participaram da conferência em Ulaanbaatar vivem diretamente em territórios marcados pela desertificação e degradação dos solos.

O que não significa que não sejam afetados por elas.

É o caso da brasileira Thaiane Maciel, 33 anos, engenheira ambiental e fundadora do Instituto Ecocria, uma organização que trabalha com educação ambiental no Rio de Janeiro.

Para a engenheira, as políticas sobre a terra precisam estar conectadas a diferentes dimensões da vida.

Thaiane participou da COP17 por meio da coalizão de juventude da convenção. Também moderou debates e trabalhou em uma iniciativa de comunicação destinada a divulgar a atuação de jovens durante as negociações.

Para ela, um dos problemas desses espaços é tratar a juventude como um grupo que ainda precisa apenas aprender, e não como parte capaz de formular e executar políticas.

Com o fim da conferência, Thaiane espera que as ações continuem para além das declarações oficiais e contemplem as necessidades mais urgentes daqueles que vivem diretamente os problemas da terra e da seca.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

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Fontes consultadas

  • Agência Brasillink

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