Um levantamento apresentado no Deep Tech Summit 2025 mostra que a América Latina já reúne mais de 1. 400 startups deep tech, ou seja, negócios nascidos diretamente de descobertas científicas, sendo 72,3% delas concentradas no Brasil.
Boa parte dessas empresas atua exatamente onde o consumidor menos espera: dentro de um creme, um tecido ou uma embalagem, sem que ninguém perceba a pesquisa por trás do produto.
É esse fenômeno que Betina Zanetti, vice-presidente de Relacionamento da Acate, explica a partir da própria trajetória. Farmacêutica formada pela UFSC, com doutorado pela mesma universidade e pela Université Bordeaux, na França, e pós-doutorado em nanossegurança, ela deixou a carreira acadêmica em 2008 para fundar, ao lado do marido Ricardo Ramos, a Nanovetores.
Hoje, a empresa é uma das empresas catarinenses mais conhecidas em tecnologia de encapsulação de ativos.
Segundo ela, na Nanovetores, foram desenvolvidos sistemas de encapsulação capazes de proteger ingredientes ativos sensíveis, controlar a liberação na pele e aumentar a eficácia.
Com isso, os cremes podem ser mais eficazes e é possível reduzir cabelos brancos de forma natural e tecnológica.
Uma empresa catarinense com sócia global.
A trajetória da própria Nanovetores ilustra o argumento de Betina. Incubada no Sapiens Parque, em Florianópolis, a empresa cresceu a partir de tecnologia desenvolvida no doutorado da fundadora e hoje exporta para 46 países, nos cinco continentes.
Em 2022, a companhia passou a ter como sócia a Givaudan, multinacional suíça líder global em fragrâncias e ingredientes cosméticos, que adquiriu 48% do negócio para ampliar a área de active beauty.
Para Betina, essa competência não é exclusividade catarinense: o Brasil já desenvolveu tecnologias reconhecidas internacionalmente em áreas como a encapsulação de ativos, hoje presentes em produtos vendidos em diferentes continentes.
A nanotecnologia é um dos pilares desse trabalho, segundo Betina, porque permite controlar materiais em escalas extremamente pequenas, o que amplia o desempenho de produtos que já fazem parte da rotina das pessoas.
Por que a ciência ainda parece distante da população.
Apesar desses avanços, Betina reconhece que existe uma distância entre o que é produzido nos laboratórios e nas empresas catarinenses e o que a população entende sobre ciência.
Segundo ela, a ciência costuma ser comunicada em linguagem técnica, voltada para pesquisadores, enquanto as pessoas têm dificuldade para entender como as descobertas mudam vidas.
O movimento das deeptechs citado por Betina já aparece em dados nacionais. Uma das iniciativas é o programa Catalisa ICT, do Sebrae, que acelerou 150 dessas empresas no primeiro ciclo e hoje apoia outros 316 planos de inovação para que se transformem em negócios formais.
Como atrair mais jovens para a ciência.
Betina também vê na formação de novos talentos um dos principais desafios do setor, e defende que os jovens percebam a ciência para além dos laboratórios acadêmicos.
Esse caminho, inclusive, foi percebido pela própria profissional, quando ela optou por trocar a carreira de pesquisadora pela de empreendedora.
Fontes
Informação baseada em material público de G1, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.