Ir para o conteúdo
Brasil Revisado por ULTRA AI

Caminhos da Reportagem aborda construção da identidade parda

Episódio investiga como a identidade parda foi construída ao longo da história no país e de que forma ela influencia trajetórias, direitos e oportunidades.

5 min de leitura
Brasil — imagem padrão

A premiada atração da TV Brasil vai ao as às 23h e traz traz entrevistas com especialistas, acadêmicos, pensadores e pessoas comuns que ajudam a entender essa identidade que reúne diferentes tons, povos e culturas.

No Brasil, mais de 90 milhões de cidadãos se declararam pardas no Censo de 2022, o que representa entre quatro e cinco de cada dez pessoas e a maioria delas está na Região Norte, onde se concentra 67,2% da população autodeclarada.

É nessa região também que se encontram mais indígenas no país: 45% de quem se identifica com essa cor.

Já para o filósofo, ambientalista e líder indígena, Ailton Krenak, a invenção do pardo é um truque colonial.

Pretos e pardos são os que mais abandonam os estudos antes de chegar ao ensino superior: são três em cada cinco brasileiros. Uma realidade que vem mudando graças às ações afirmativas, como as cotas raciais, que destinam percentuais de vagas a pretos, pardos, indígenas e quilombolas.

Na contramão das estatísticas, a assistente social Luiza Carvalho sabe bem o que é conviver com o preconceito desde criança.

Hoje, ela se orgulha de ter conquistado uma carreira acadêmica driblando preconceitos.

Para o presidente do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, Helio Santos, essas políticas devem sempre ser inclusivas.

Mas a questão da identidade parda passa por outros recortes, como a do apagamento social. “Quando a gente pensa em como a categoria parda se constituiu, foi justamente para esvaziar o ingrediente africano e indígena”.

A historiadora Ana Flávia Magalhães chama atenção para como o racismo se mantém até hoje no país.

Gustavo Amora é pesquisador e precisou recorrer à justiça para garantir seu direito de ingressar em concurso público por meio das cotas raciais: "Fiz a prova, depois fui chamado para uma banca de heteroidentificação.

Após a avaliação ele teve o pedido indeferido. "Fui a público, ingressei na justiça e depois pautei a imprensa. E a partir da primeira reportagem, centenas de pessoas do Brasil inteiro começaram a me procurar.

Então a gente se organizou num grupo com aproximadamente 150 pessoas”.

Gustavo ganhou a causa na justiça, mas ainda aguarda para assumir o cargo. Para ele, a união de candidatos negros não reconhecidos pelas bancas pressionou por mudanças na heteroidentificação dos concursos públicos.

Mas garantir a representatividade de pessoas pardas no Brasil exige ações coordenadas em diversas frentes sociais, institucionais e políticas. E essa mudança também passa pela educação.

Uma escola pública de Ceilândia, na região administrativa de Brasília, trabalha conteúdos antirracistas durante todo o ano em sala de aula. É o que explica a orientadora educacional Eliane dos Santos: “a gente voltou de novo na Lei 10.

639. A lei tem mais de 20 anos, então por que isso não é feito? A gente não precisa de mais leis, a gente precisa de coisa efetiva, vamos mostrar o que dá pra fazer”.

Na escola, são feitas diversas atividades em que os professores mostram para as crianças que não existe apenas uma cor de pele. Um aprendizado que a aluna Ana Luisa Souza, de 10 anos, diz que já experimenta na prática.

Eu acho minha cor bonita. E não pode uma pessoa falar que a cor da outra pessoa que é feia. Acho isso errado.”.

Conhecimento que enche de orgulho os educadores da escola, como Eliane. “É muito transformador, dá esperança para a gente ver que é uma geração diferente e faz valer a pena o trabalho da gente.

E você descobrir que tem cor de pele, te fazer sentir orgulho disso, não querer ser igual o outro. E a criança branca também, aprende a respeitar a criança negra e a entender que a diversidade é legal, porque tudo é aprendido”.

Reportagem: Carina Dourado Apoio à reportagem: Thiago Padovan, Vitor Abdala Produção: Carol Oliveira Reportagem cinematográfica: Robson Moura, Sigmar Gonçalves Auxílio técnico: Alexandre Souza, Jairom Rio Branco Apoio à reportagem cinematográfica: Amâncio Ronqui, JM Barboza, André Rodrigo Pacheco, Manoel Lenaldo Colaboração técnica: Thiago Pinto, Thyago Pignata, Rafael Carvalho Edição de texto: Cintia Vargas Edição e finalização de imagem: Rivaldo Martins Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia.

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileiras mais prestigiadas pelo público e pela crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos.

Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site e no YouTube da emissora pública.

As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site.

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone.

O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. .ebc.com.br/webtv.

Caminhos da Reportagem – A Cor do Meio. Segunda-feira (31/8), às 23h30, na TV Brasil – com reprise na madrugada de segunda (31/8) para terça-feira (1º/9), às 03h.

Em números

  • No Brasil, mais de 90 milhões de cidadãos se declararam pardas no Censo de 2022
  • Então a gente se organizou num grupo com aproximadamente 150 pessoas”

Fontes consultadas

  • Agência Brasillink

Leia também

Mais em Brasil
Brasil — imagem padrão
Brasil

BC reduz previsão de inflação e crescimento do PIB para o ano

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central. Os analistas consultados haviam paralisado a sequência de reduções na projeção de inflação, mas depois do IPCA-15 de agosto ficar no negativo, a expectati

Em Brasil