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'Slopaganda': como a IA virou arma eleitoral nos EUA e movimentou mais de US$ 137 milhões

Levantamento identificou 220 anúncios políticos produzidos com inteligência artificial, mas apenas 27% informavam o uso da tecnologia. Republicanos financiaram

4 min de leitura
'Slopaganda': como a IA virou arma eleitoral nos EUA e movimentou mais de US$ 137 milhões

Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço na propaganda eleitoral.

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Ao mesmo tempo, aumenta a preocupação com o uso da tecnologia para espalhar informações falsas em anúncios políticos.

Pesquisadores chamam essa prática de "slopaganda", termo que combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial.

A prática é usada tanto por republicanos quanto por democratas, mas candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump, concentram a maior parte dos investimentos nesse tipo de propaganda eleitoral neste ano.

Em um dos anúncios, Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo estado de Michigan, aparece segurando cartas de um jogo de tabuleiro com as frases "Morte aos EUA" e "Celebre o 11 de Setembro", em referência aos atentados às Torres Gêmeas, em Nova York.

A destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles", afirma um narrador no vídeo. Em seguida, acrescenta: "É uma missão.

O anúncio também mostra uma imagem de família gerada por inteligência artificial. Nela, o candidato, que é muçulmano e filho de um egípcio, aparece ao lado de quatro mulheres usando véus que cobrem todo o corpo.

O vídeo foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas. Diferentemente da maioria dos anúncios desse tipo, o material informa que foi "criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial.

Poucos anúncios informam o uso de IA.

Segundo os pesquisadores, poucos anúncios políticos informam quando utilizam inteligência artificial. A maioria não apresenta esse aviso, o que dificulta a identificação de imagens e vídeos gerados pela tecnologia e a avaliação da veracidade do conteúdo pelos eleitores.

O Wesleyan Media Project, projeto que monitora os gastos com propaganda eleitoral nos Estados Unidos, identificou 220 anúncios políticos produzidos com IA até o momento do levantamento.

Os pesquisadores, no entanto, acreditam que o número real seja muito maior.

Dos anúncios identificados, quase 81% foram financiados por candidatos republicanos ou grupos ligados ao partido. Os democratas foram responsáveis por 12%, enquanto os demais tiveram financiamento de candidatos ou organizações independentes.

Apesar do aumento dos investimentos, apenas 27% dos anúncios identificados avisam que foram produzidos com inteligência artificial, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project.

No mês passado, o senador democrata Jon Ossoff, do estado da Geórgia, classificou como "profundamente preocupante" o crescimento do uso de IA na propaganda eleitoral.

Uso de IA na propaganda eleitoral provoca críticas.

Ossoff, que disputa a reeleição em novembro, pediu que um anúncio produzido com IA fosse retirado de circulação. O vídeo não informa o uso da tecnologia e mostra o senador em um salão de beleza, sugerindo que ele estaria "maquiando" seu relatório de prestação de contas.

O anúncio foi financiado pelo Senate Leadership Fund, organização que apoia candidatos do Partido Republicano ao Senado americano.

A rejeição ao uso de IA nas campanhas eleitorais também aparece nas pesquisas de opinião. Segundo um levantamento realizado para a Fundação AAPC, 73% dos entrevistados consideram esse uso "inaceitável.

Apesar do aumento desse tipo de propaganda, pesquisadores alertam que a quantidade de anúncios produzidos com IA não significa, necessariamente, que eles sejam capazes de influenciar o resultado das eleições.

Segundo um relatório recente do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York, a "slopaganda" é "provavelmente mais eficaz na mobilização de eleitores ou na arrecadação de fundos do que na influência na eleição de um candidato.

O documento também afirma que esses anúncios podem ter dificuldade para atrair a atenção dos eleitores, especialmente diante do excesso de conteúdos produzidos com inteligência artificial, "particularmente à medida que nos tornamos cada vez mais sobrecarregados pela confusão gerada pela IA.

Em números

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