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Corumbá - MS | Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 | 14:42

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Tecnologia

Por que a corrida pela IA virou motivo de preocupação e fez ações despencarem? Gigantes perderam US$ 1

Investidores questionam quando os bilhões de dólares gastos pelas empresas de tecnologia no desenvolvimento da inteligência artificial vão se transformar em luc

8 min de leitura
Tecnologia — imagem padrão

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) sofreram fortes perdas nas bolsas pelo mundo. Na quinta-feira (5), o Nasdaq caiu 5,52%, sua sexta maior queda diária desde janeiro de 2020, segundo levantamento da Elos Ayta.

  • Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos.
  • Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos.
  • Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos.
  • Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos.
  • Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos.
  • China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos.
  • China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos.
  • Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.

Bolsas globais caem após vitória democrata nos EUA e temor sobre setor de IA.

Na Coreia do Sul, a queda chegou a ultrapassar 8% durante o pregão e levou a bolsa a interromper temporariamente as negociações por 20 minutos. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, é acionado quando o mercado sofre uma queda muito acentuada e serve para dar uma pausa nas operações.

Por trás do movimento está a preocupação dos investidores com os bilhões de dólares que as gigantes de tecnologia estão gastando para avançar na corrida pela inteligência artificial.

O mercado quer saber quando esses investimentos vão se transformar em lucro.

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos intensificou outra preocupação que já rondava o setor: a possibilidade de novas regras para a construção de centros de dados, estruturas essenciais para o funcionamento da IA.

Queda atinge empresas de tecnologia nos EUA.

Na quinta-feira, além do Nasdaq, outros índices importantes de Wall Street também fecharam em forte baixa. O S&P 500 recuou 4,36%, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%.

A onda de vendas também atingiu as gigantes de tecnologia americanas. As sete empresas conhecidas como Magnificent Seven fecharam em queda, com perdas que chegaram a 10,8% no caso da Tesla.

As empresas ligadas à produção de chips, componentes fundamentais para o funcionamento da inteligência artificial, estiveram entre as mais afetadas. O índice de semicondutores da Filadélfia perdeu 12,2%.

Entre as companhias que mais caíram estavam a Nvidia, com baixa de 9,3%, e a AMD, que recuou 17,3%.

Big techs perdem mais que uma B3 inteira em um único dia.

Como o tombo chegou na Ásia e acionou mecanismo de segurança na Coreia do Sul.

Na sexta-feira (6), a pressão também atingiu os mercados asiáticos.

O Nikkei, principal índice da bolsa japonesa, fechou em queda de 5,96%, aos 57. 434,77 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 6,02%, para 5. 059,69 pontos.

Durante o pregão, porém, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, levando o indicador a ficar abaixo dos 5 mil pontos. Diante do movimento, a bolsa acionou um circuit breaker.

A suspensão começou às 9h03 no horário local e durou 20 minutos. Depois da retomada, as negociações continuaram, mas o índice terminou o dia ainda em forte baixa.

O tombo também atingiu grandes empresas da região. As ações da fabricante de chips de memória SK Hynix caíram 10,4%, enquanto os papéis da Samsung Electronics recuaram 6,4%.

No Japão, a SoftBank perdeu cerca de 11%. Em Taiwan, a fabricante de chips TSMC fechou em baixa de 4,7%.

A região concentra algumas das principais fabricantes de chips do mundo. Por isso, uma eventual redução dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pode afetar diretamente essas companhias.

Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas.

Vitória democrata reacende debate sobre regras para data centers.

Outro fator que entrou na conta dos investidores foi o resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3).

A vitória dos democratas aumentou a preocupação de que o setor de tecnologia enfrente mais resistência para construir centros de dados, instalações que reúnem os equipamentos responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de informações.

Essas estruturas são fundamentais para o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial, mas também consomem grandes quantidades de energia e água. Por isso, enfrentam resistência de comunidades em algumas regiões americanas.

O temor é que novas regras dificultem ou atrasem a construção dessas instalações. Isso poderia afetar os planos de expansão das empresas e reduzir a procura por chips, equipamentos e outros serviços ligados à inteligência artificial.

Isso não significa que projetos já anunciados tenham sido cancelados ou que novas restrições tenham sido aprovadas. O que pesa sobre as ações é a incerteza sobre o futuro desses investimentos.

Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), porém, a vitória democrata não foi a causa da queda das ações, mas acrescentou um novo risco a um mercado que já apresentava sinais de fragilidade.

A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil", afirma.

Segundo o professor, a vitória democrata aumentou a preocupação com possíveis restrições à construção dessas instalações, à concessão de incentivos fiscais e ao licenciamento de novos projetos.

Ele destaca que mudanças legislativas relevantes costumam demorar e que o presidente americano mantém o poder de veto.

Na avaliação do especialista, os riscos mais imediatos estão nos estados, onde decisões sobre licenciamento, fornecimento de energia e eventuais moratórias podem afetar a construção de data centers.

Camilo avalia que a reação mais intensa do mercado tende a ser pontual, mas que a revisão das expectativas de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial pode continuar.

Investimentos em IA disparam, mas mercado cobra resultados.

Um dos fatores por trás da pressão sobre as ações está o tamanho dos investimentos que as empresas estão fazendo para desenvolver e ampliar seus negócios de inteligência artificial (IA).

Em outro levantamento, também divulgado pela Reuters, os números mostram o peso desses investimentos sobre o caixa das companhias. Dessa vez, a análise considera cinco empresas: Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle.

O fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra depois que a empresa paga suas despesas operacionais e investimentos. Quando esse indicador fica negativo, significa que os recursos gerados pelas operações não foram suficientes para cobrir os gastos do período.

Analistas apontam que a questão é que esses investimentos levam tempo para gerar retorno. Enquanto as empresas gastam bilhões para ampliar sua capacidade, os investidores querem entender quando esse dinheiro vai se transformar em novas receitas e, principalmente, em lucro.

O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa", afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.

Ou seja, não basta mostrar que a empresa está construindo centros de dados e comprando chips. Os investidores querem ver se a estrutura vai gerar dinheiro suficiente para compensar o que foi gasto.

São bilhões de dólares destinados a centros de dados, chips e infraestrutura, enquanto a capacidade de transformar tudo isso em receita ainda está sendo construída", diz Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Empresas também recorrem a empréstimos.

Até agora, parte importante dos investimentos vinha do próprio dinheiro gerado pelos negócios. Com os gastos cada vez maiores, porém, as empresas também têm recorrido à emissão de dívidas e de ações para levantar recursos.

O movimento ocorre em um momento em que os investidores também acompanham a possibilidade de juros mais altos nos próximos anos. Com juros maiores, os empréstimos ficam mais caros e podem aumentar o custo dos projetos.

A escala de gastos não tem precedentes. O ciclo começou com recursos próprios, avançou para a emissão de dívidas e agora chega à captação de recursos no mercado de ações", afirma.

Ele se refere também à possibilidade de as empresas emitirem novas ações para captar dinheiro. Nesse caso, os acionistas existentes podem ter sua participação proporcional reduzida, caso não acompanhem a operação.

O risco é uma bolha de investimentos.

A queda das ações reacendeu a discussão sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial. Isso não significa, porém, que os especialistas considerem a tecnologia uma promessa sem fundamento.

A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização", afirma Celso Camilo.

Para ele, o risco está na diferença entre o potencial da tecnologia e o preço que os investidores aceitam pagar hoje pelas ações, considerando lucros que ainda não chegaram.

Lobo também pondera que a discussão não deve ser resumida à ideia de que a IA é uma bolha. Na avaliação dele, o mercado está mais atento ao ritmo de crescimento dos investimentos e à capacidade de as empresas transformarem esse dinheiro em resultados.

O vencedor da próxima etapa não será necessariamente quem investe mais, mas quem gera retorno sobre o capital investido", afirma.

Em números

  • Rém, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, levando o indicador a ficar abaixo dos 5 mil pontos

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