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Pesquisadores criam plástico que pode virar fertilizante depois do uso

Pesquisadores japoneses criaram plástico de base biológica que se transforma em fertilizante com tratamento de amônia

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Pesquisadores japoneses desenvolveram um plástico que, após o uso, pode ser convertido em fertilizante para plantas. O material foi criado por uma equipe liderada pelo professor Daisuke Aoki, da Universidade de Chiba, em colaboração com a Universidade de Tohoku e a Universidade de Tóquio.

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

O plástico é feito a partir da isossorbida, um composto de base biológica obtido da glicose. Quando tratado com amônia aquosa a 90°C por 24 horas, o material se decompõe em isossorbida e ureia – ambos utilizáveis diretamente como fertilizante, sem necessidade de separação ou purificação.

O material não é biodegradável em condições normais. Ele funciona como um plástico convencional durante toda a sua vida útil sem se degradar prematuramente. A transformação em fertilizante acontece apenas quando o produto chega ao fim do seu uso, mediante tratamento químico com amônia.

Estamos em um ponto crítico na história dos plásticos. Enquanto estratégias atuais como redução e reciclagem tradicional são importantes, elas são inerentemente ‘passivas’ e não oferecem benefícios ambientais ativos.

Queríamos avançar para uma contribuição ambiental ‘ativa’, projetando materiais que resolvam o problema do lixo plástico enquanto abordam simultaneamente a depleção de recursos e apoiam a agricultura sustentável.

Estudos anteriores do mesmo grupo já haviam demonstrado que o plástico de base de isossorbida podia ser convertido em fertilizante, segundo o Phys.org. O novo avanço foi desenvolver um plastificante – chamado ISB-TEG – que torna o material mais de dez vezes mais flexível sem comprometer sua capacidade de se transformar em fertilizante.

Isso é importante porque o plástico original é duro e quebradiço, o que limitava suas aplicações. Com o plastificante, o material pode ser usado em produtos flexíveis como filmes agrícolas, vasos para mudas, sacolas e embalagens.

E o plastificante em si também se converte em componentes de fertilizante pelo mesmo processo de tratamento com amônia.

Os pesquisadores usaram o fertilizante produzido a partir do plástico sem separação ou purificação para cultivar a Arabidopsis thaliana, uma planta modelo usada em pesquisas científicas, e o komatsuna, uma hortaliça comestível da família das brássicas.

O crescimento das plantas foi equivalente ao obtido com fertilizante comercial de ureia.

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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