Terceirizar' a vida para a IA pode ser um problema.
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Você já se pegou em dúvida sobre algo e foi pedir conselhos de vida para um chatbot de inteligência artificial (IA)? Que ela está cada vez mais presente no trabalho não é novidade, mas pesquisas mostram que a tecnologia tem sido mais usada (e mais convincente) para tomar decisões sobre nossa vida pessoal.
Um estudo de 2024 publicado na revista científica "Scientific Reports" e conduzido por Shinnosuke Ikeda, da Universidade de Kanazawa, no Japão, investigou até que ponto os conselhos do ChatGPT são capazes de alterar decisões humanas.
Em dois experimentos online com 1. 925 participantes japoneses, pesquisadores compararam o efeito de orientações atribuídas ao chatbot com recomendações atribuídas a especialistas humanos.
Os resultados mostraram que, em determinadas situações, os conselhos da IA conseguiram influenciar decisões de forma semelhante aos atribuídos a especialistas. Os experimentos envolveram de dilemas morais a escolhas econômicas.
A pesquisa também mostrou que pessoas com mais dificuldade e insegurança para tomar decisões eram mais suscetíveis às recomendações.
Em entrevista ao g1, Cleber Zanchettin, professor de Enegenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em IA, explica que quanto mais as decisões são delegadas para a IA, mais a ferramenta conhece quem está perguntando e mais suscetível aos "conselhos" do chatbot essa pessoa fica.
E dentro desse ciclo, o usuário pode acabar preso a essa "terceirização" de decisões.
Quando a IA é usada para a escolha de produtos a serem comprados, os riscos aumentam. Além da possível dependência, Zanchettin explica que as informações podem ser enviesadas.
Isso porque os modelos por trás dos chatbots "aprendem" sobre os produtos com base em conteúdos sobre eles na internet, o que inclui avaliações de outras pessoas que compraram e até as informações dos fornecedores.
A IA não testa o produto, e sim baseia a indicação no conteúdo que existe sobre ele na internet.
Então é melhor parar de pedir ajuda para a IA? Não necessariamente.
Zanchettin defende que as ferramentas podem ser úteis justamente para organizar grandes quantidades de informação e apresentar alternativas. A diferença está em usar a IA como apoio, e não entregar a ela a decisão final.
Na prática, em vez de pedir simplesmente que a IA escolha qual celular comprar, por exemplo, o usuário pode solicitar uma comparação entre modelos, prós e contras e diferentes alternativas — e decidir a partir dessas informações.
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