Médica do AC participa de congresso cirúrgico nos EUA e debate sobre malformação congênita.
- Lei que permite internato de estudantes de medicina do exterior entra em vigor no AC.
- Em barco, profissionais de saúde devem atender moradores de 150 comunidades rurais de Rio Branco.
- Com especialidade em malformação congênita, única cirurgiã pediatra do AC deve receber prêmio de medicina nos EUA.
A médica Fernanda Lage Lima Dantas, cirurgiã pediátrica e professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), representa o Acre na Conferência Anual da Association of Women Surgeons (AWS), em Washington, nos Estados Unidos.
O evento debate cirurgia global, formação médica e protagonismo feminino.
Ao g1, Fernanda disse que é pioneira na implantação do serviço de cirurgia pediátrica no estado acreano com foco em Rio Branco, onde atua. Além disso, ela também integra o Colégio Americano dos Cirurgiões (ACS), uma das principais organizações internacionais da área.
Levo o exemplo de como a dedicação e o empenho de um profissional podem transformar a realidade de uma população. A ideia desse vir nesse evento é apresentar como levamos cirurgia de qualidade em locais remotos, com baixos recursos, como é o nosso Acre", explica.
A relação da médica com o ACS começou em 2018, quando o trabalho desenvolvido por ela no Acre recebeu reconhecimento da instituição. Segundo Fernanda, a premiação possibilitou que ela fizesse um treinamento em um serviço de cirurgia nos Estados Unidos, além de participar do congresso anual.
Já em 2019, ela passou a integrar o ACS como fellow, título de prestígio dado a membros de destaque. Além disso, ela também entrou para a The Association of Women Surgeons (AWS), uma associação internacional dedicada à atuação das mulheres na cirurgia.
Desde 2023 eu participo do comitê de relações internacionais do ACS e, desde outubro de 2024, integro a diretoria executiva do comitê. A minha ideia é falar de atuação médica para justamente ampliar a participação e o reconhecimento das mulheres no ambiente cirúrgico", destaca.
Além disso, Fernanda diz que ainda existe preconceito, desmerecimento e falta de respeito contra mulheres durante a atuação profissional na cirurgia. A participação feminina ainda é novidade.
Dados do Demografia Médica no Brasil mostraram que em 2025 foi a primeira vez que o Brasil teve mais mulheres do que homens em atividade.
Ainda temos muito que evoluir na aceitação das mulheres nesses espaços tradicionalmente masculinos. A mulher ainda tem que provar duas ou três vezes mais que o homem que merece ocupar um espaço nesse ambiente", afirma.
Segundo ela, a discussão precisa avançar para que profissionais sejam reconhecidas pela competência, independentemente do gênero. Entre as iniciativas estão campanhas realizadas durante o Dia Internacional da Mulher, em março, e o mês dedicado às mulheres na cirurgia, em setembro.
Neste ano, a campanha teve como tema "Mulheres Cirurgiãs Causando Impacto no Mundo", com a participação de cirurgiãs de diferentes países. Fernanda afirma que as campanhas tiveram grande alcance dentro das plataformas do ACS e ajudaram a dar visibilidade à atuação feminina na área.
Outra frente de atuação da médica é a chamada cirurgia global, voltada à ampliação do acesso a atendimento cirúrgico de qualidade em regiões remotas e com poucos recursos.
Para Fernanda, a experiência do Acre pode servir como exemplo para outros locais que enfrentam dificuldades.
Ela cita a criação do curso de medicina da Ufac e a implantação de programas de residência e especialização em diferentes áreas para formar profissionais e estruturar serviços especializados, são estratégias capazes de transformar a realidade de uma população.
A minha experiência do estado já foi apresentada por em outros eventos internacionais. No ano passado, participei de um painel sobre cirurgia global durante um congresso do ACS, em Chicago, nos Estados Unidos, e são ações muito importantes", destaca.
De mortalidade à sobrevivência de bebês.
Na cirurgia pediátrica, Fernanda destaca a transformação observada no atendimento de crianças nascidas com malformações congênitas no Acre desde o início de sua atuação.
Segundo a médica, quando começou a trabalhar no estado, cerca de 95% das crianças com malformações morriam.
Além disso, Fernanda afirma que mantém projetos para estruturar uma assistência integral às crianças com malformações congênitas no Acre. A proposta, segundo ela, envolve o tratamento cirúrgico e a assistência médica, além da reabilitação e ações voltadas à qualidade de vida dos pacientes.
A médica também defende maior participação das mulheres na formação e na atuação médica e afirma que pretende continuar levando para outros países a discussão sobre o papel das mulheres como profissionais, lideranças e especialistas na área médica.
Precisamos de atitudes positivas e propositivas para trazer a equidade na formação e na atuação dessas médicas. Assim conseguiremos a melhoria na qualidade da assistência à saúde como um todo", finalizou.
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