A denominação “doenças raras” abrange um leque de pelo menos 5 mil enfermidades que atingem até 65 em cada 100 mil pessoas, ou seja, um número relativamente pequeno de indivíduos.
Por esse motivo, os pacientes demoram a receber um diagnóstico ou tratamento. É o caso da Doença Ocular da Tireoide (DOT), de origem autoimune e que pode causar repercussões de longo prazo, como desfiguramento facial, estrabismo e neuropatia óptica, com risco até de perda da visão.
Conversei com o endocrinologista Cléo Otaviano Mesa Junior, professor de medicina da PUC-PR e médico do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, onde é responsável técnico pelo serviço de endocrinologia, que me deu uma “aula”.
A grande maioria com disfunções na tireoide não apresenta o quadro grave nos olhos. Há, inclusive, aqueles que só têm o problema ocular. Para complicar um pouco mais: não é todo paciente com distúrbios de tireoide que vai desenvolver a DOT, e nem todo paciente com DOT tem uma condição tireoidiana, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo.
A lista de sintomas de desconfortos é longa: olhos projetados para fora, retração palpebral, dificuldades de fechar os olhos, vermelhidão, inchaço, sensação de areia nos olhos, fotofobia, lacrimejamento excessivo, visão embaçada e visão dupla (diplopia).
Sem contar os efeitos psicológicos, bastante impactantes: 52% apresentam perda de autoconfiança; 63% sofrem um impacto psicossocial pela mudança na aparência; e 45% desenvolvem estresse e ansiedade.
O tratamento pode envolver descompressão da órbita, correção do estrabismo e correção de retração palpebral, além de medicamentos. As mulheres representam o maior número de pacientes, mas a manifestação tende a ser mais grave quando acomete os homens e idosos.
Mundialmente, a DOT tem incidência de 16 casos a cada 100 mil mulheres e 2,9 casos a cada 100 mil homens.
Dois especialistas devem trabalhar em conjunto: além do endocrinologista, um oftalmologista especialista em órbita e estrabismo. Apesar de pouco frequentes, reativações podem ocorrer, por meio de gatilhos como estresse, emocional ou físico (como uma cirurgia), e alguns medicamentos.
O conselho do professor: se o paciente tem uma disfunção da tireoide, é importante comunicar qualquer alteração ao seu endocrinologista imediatamente. “No entanto, se a doença ocular aparece primeiro, ou as duas se manifestam simultaneamente, é comum que a pessoa vá ao oftalmologista, que deve ser alertado sobre o risco de uma condição tireoidiana quando há visão dupla e o olho vem para a frente, como se estivesse saltando da órbita”, detalha.
Está no ar uma campanha sobre a DOT, criada pela Vozes do Advocacy, federação que reúne 25 associações de diabetes que resolveu abraçar a causa. Trata-se de um minidocumentário com relatos emocionantes sobre a falta de conhecimento sobre a enfermidade e as complicações à saúde física e mental, e que pode ser acessado aqui.
Em números
- A denominação “doenças raras” abrange um leque de pelo menos 5 mil enfermidades que atingem até 65 em cada 100 mil p
- Mundialmente, a DOT tem incidência de 16 casos a cada 100 mil mulheres e 2,9 casos a cada 100 mi
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