A pesquisa A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos mostra ainda 26% dos entrevistados com obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde.
Entre aqueles que dizem praticar atividade física a frequência é baixa, com média de 2,4 dias por semana. Segundo o patologista e CEO do A. C. Camargo Cancer Center, Victor Piana, a prática regular de exercícios reduz o risco de tumores como os de intestino e de mama, ajuda no controle do peso e melhora a resposta do organismo durante e após o tratamento oncológico.
Dietas ricas em vegetais e fibras estão associadas a menor risco de câncer de intestino, enquanto ultraprocessados e carnes processadas apresentam mais riscos. A pesquisa mostra que 66% dos entrevistados consomem alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, seis dias ou mais por semana, enquanto bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras aparecem em cerca de 2 dias semanais.
Entre aqueles que não conseguem comer adequadamente, 29% apontam o preço alto de carnes frescas, frutas e vegetais, e 21% citam a falta de tempo e o cansaço da rotina.
Quem ganha até um salário mínimo (40%) tem ainda mais dificuldade de manter uma alimentação saudável, enquanto esse percentual cai de 10% para aqueles que estão na faixa acima de cinco salários mínimos, onde o obstáculo passa a ser o tempo (39%).
Já com relação ao consumo de bebidas alcoólicas, 58% dos brasileiros afirmam não beber, enquanto 30% dizem consumir álcool de um a dois dias por semana e 5% relatam beber de cinco a sete dias por semana.
Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno, o álcool está associado ao desenvolvimento de tumores de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama.
Quando combinado ao cigarro, os riscos são ainda maiores.
De acordo com o Victor Piana, entre os que mais consomem álcool está a maior parcela dos que consideram a própria saúde ótima ou boa. Essa percepção chega a 64% entre quem bebe de cinco a sete dias por semana, contra 58% entre os que não bebem.
Esse paradoxo ilustra o perigo da falsa percepção de saúde. A socialização e o relaxamento associados ao consumo frequente de álcool fazem com que a pessoa confunda sentir-se bem com estar saudável”, diz a pesquisa.
A pesquisa mostra, segundo Piana, que o maior risco do brasileiro não está no que ele sente, e sim no que ele não percebe, como excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool, que são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina.
A pesquisa entrevistou, face a face, 2. 015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação.
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