Paranaense troca a arquitetura pela internet e faz sucesso com vídeos de nostalgia.
Ter hora para ligar e desligar a internet, assistir a desenhos animados na TV aberta, colecionar CDs, brincar com o "joguinho da minhoca" no celular. Essas são algumas das muitas lembranças que continuam vivas na memória de ao menos duas gerações que viveram o início da internet e as evoluções que aconteceram até chegarmos ao momento de hiperconexão de hoje.
E foi justamente nestas lembranças dos millennials, nascidos na década de 1990, e de integrantes do início da Geração Z, que viveram a virada do século, que a paranaense Sabrina Oliveira encontrou um nicho de trabalho: a nostalgia.
Arquiteta de formação, ela largou a profissão para se dedicar integralmente à criação de vídeos curtos nas redes sociais, onde ela compartilha itens que já são considerados relíquias.
As imagens de TVs de tubo, CPUs antigas e até vinhetas de jornais do início do século estão entre os conteúdos que mais rendem engajamento para Sabrina.
90% das coisas que eu mostro nos vídeos são minhas mesmo. Coisas que eu guardei, mas tem coisas que eu não tive quando era criança e acabei adquirindo. Eu só mostrei os itens, as pessoas se identificaram e adoraram.
Eu fiquei pensando: Meu Deus, são só os itens que eu guardava lá na minha gavetinha", lembrou.
A criadora de conteúdo tem 33 anos e é de Coronel Vivida. Antes de virar fonte de renda, a ideia era que os vídeos fossem apenas um registro de itens que a jovem guardava em casa.
Tudo mudou quando, logo nos primeiros conteúdos, ela passou a ter virais em sequência.
Em um quarto que montou para gravar os conteúdos, Sabrina reúne coleções da infância e adolescência e relembra produtos que marcaram a época. Apaixonada por novelas, ela também coleciona CDs com trilhas sonoras.
A mídia física sempre teve um valor muito grande para mim. É especial poder ter nas mãos um pedacinho de uma época que marcou tanto a nossa vida.
Entre os conteúdos de maior sucesso estão as antigas programações da TV Globo. Sabrina pesquisa quais programas passavam em determinada data, recupera vinhetas e chamadas e monta, em vídeo, uma verdadeira viagem no tempo.
Um exemplo é a vinheta do então Paraná TV, jornal da RPC, afiliada da TV Globo, que entrou na grade paranaense em 1999. Em 2018, ele foi renomeado, passou a se chamar Meio-Dia Paraná e continua no ar em todo o estado.
Faz parte da nossa rotina desde criança. A gente ouve a música da vinheta e parece que tem gosto de almoço. Você ouve e já pensa: 'vou almoçar'. Sem contar os apresentadores, que parecem que fazem parte da família", lembra.
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A paixão pelo passado também virou um projeto em casal. O namorado de Sabrina, Jean Capoani, também arquiteto, passou a produzir conteúdos nostálgicos e, desde 2023, os dois trabalham só com este nicho.
A renda deles vem de monetização das redes e parcerias.
Nosso assunto em casa é praticamente só isso. A gente relembra as coisas o tempo inteiro.
Apesar do tom leve dos vídeos, Sabrina afirma que as recriações exigem uma pesquisa minuciosa. Ela e o namorado consultam redes sociais, acervos na internet e jornais da época para garantir que as programações, vinhetas e chamadas estejam corretas.
Eu recebo bastante relato de pessoas falando que ficam emocionadas vendo os meus vídeos, que desbloqueiam memórias e lembram até de pessoas que não estão mais presentes", finaliza.
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Fontes
Informação baseada em material público de G1 Paraná, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.