Ir para o conteúdo
Regionais Revisado por ULTRA AI

Placa em homenagem a Donga será inaugurada neste domingo na casa onde o músico viveu no Maracanã

Compositor viveu no imóvel por quase quatro décadas; homenagem do NegroMuro sinaliza local ligado à história do samba

4 min de leitura
Placa em homenagem a Donga será inaugurada neste domingo na casa onde o músico viveu no Maracanã

Uma placa em homenagem ao sambista Ernesto dos Santos, o Donga, autor da música registrada como primeiro samba, será inaugurada neste domingo (23), no Rio de Janeiro.

O músico passou quase quatro décadas no imóvel que agora será sinalizado: começou a morar na casa no Maracanã em 1935 e permaneceu no endereço até sua morte, em 1974.

A iniciativa faz parte do Circuito da Igualdade Racial, uma das frentes de trabalho do projeto NegroMuro, em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

O circuito mapeia e sinaliza imóveis com relevância histórica para a memória negra da cidade.

Com a homenagem a Donga, serão sete imóveis sinalizados pelo projeto. Antes dele, já foram homenageados Lélia Gonzalez e Mercedes Baptista, em Santa Teresa; Lima Barreto, em Todos os Santos; o GRANES Quilombo, em Acari; Anacleto de Medeiros, em Paquetá; e Wilson das Neves, na Ilha do Governador.

O NegroMuro é mais conhecido pelos cerca de 80 murais já pintados em diferentes pontos do Rio, mas também atua na preservação da memória e do patrimônio histórico.

A iniciativa é conduzida pelo pesquisador Pedro Rajão e pelo artista visual Fernando Sawaya.

A placa de Donga faz parte da segunda etapa do projeto. Segundo Rajão, o nome do compositor já havia sido escolhido há anos, mas o processo de autorização e produção levou quase dois anos.

Donga é lembrado principalmente pela relação com “Pelo Telefone”, registrada em 1916 e durante muito tempo considerada o primeiro samba gravado e lançado comercialmente com essa denominação.

A própria classificação, no entanto, é alvo de discussões entre pesquisadores, já que a definição de samba ainda estava em processo de formação no início do século XX.

Naquele período, ritmos como maxixe, lundu, choro, valsa e polca circulavam entre músicos e compositores. Segundo pesquisadores, “Pelo Telefone” também era resultado de uma produção coletiva das rodas musicais do Rio, e não de uma criação isolada.

Seja como for, o registro da obra por Donga na Biblioteca Nacional como "Samba carnavalesco" teve imensa importância histórica e mercadológica.

Por isso, Rajão defende que a importância de Donga vai muito além do pioneirismo atribuído à gravação.

A trajetória de Donga também está ligada a outros nomes fundamentais para a consolidação da música popular brasileira, como Pixinguinha e João da Baiana.

O NegroMuro busca apresentar esses personagens dentro do contexto em que o samba urbano carioca começou a se formar, especialmente na região da Praça Onze e da chamada Pequena África.

A homenagem a Donga também representa uma das principais propostas do Circuito da Igualdade Racial: levar a memória de personalidades negras para os próprios territórios onde elas viveram e atuaram.

A escolha dos locais ajuda a ampliar a compreensão sobre a história do Rio, mostrando que acontecimentos importantes também ocorreram fora das regiões tradicionalmente associadas à memória oficial da cidade.

Para Rajão, registrar esses endereços também pode fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores.

Donga, por exemplo, viveu próximo ao Maracanã. Para Rajão, registrar esse endereço permite mostrar que grandes nomes da cultura brasileira fizeram parte do cotidiano dos bairros cariocas.

Além de preservar endereços históricos, o Circuito da Igualdade Racial busca enfrentar o apagamento da participação negra na formação do Rio.

O trabalho de preservação da memória patrimonial é uma das frentes do NegroMuro, que também atua por meio de murais e produções audiovisuais. Para Rajão, a combinação entre arte e sinalização dos espaços históricos ajuda a levar essas histórias para além dos livros e dos espaços institucionais.

O pesquisador considera que placas, murais e outros elementos visuais podem funcionar como instrumentos de memória e educação, especialmente para as novas gerações.

A proposta é fazer com que essas personalidades deixem de ser desconhecidas e passem a fazer parte do conhecimento cotidiano dos cariocas.

O pesquisador resume a proposta do NegroMuro como uma forma de evidenciar uma história que, muitas vezes, já estava presente nos próprios territórios.

🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

Leia também

Mais em Regionais
Oncinha de 6 kg é resgatada assustada, desnutrida e desidratada
Regionais

Oncinha de 6 kg é resgatada assustada, desnutrida e desidratada

O animal, que tem 6 quilos e idade estimada entre três e quatro meses, foi encontrado em um quadro de desnutrição e desidratação e recebeu atendimento emergencial na Clínica Veterinária do Centro Universitário Integrado,

Em Regionais