Há cerca de 30 anos, encontrar uma informação podia exigir tempo e paciência. Para descobrir, por exemplo, como era a erupção de um vulcão, era preciso recorrer a enciclopédias e procurar a resposta em meio a milhares de páginas.
Hoje, basta digitar uma pergunta no celular para receber milhares de resultados em poucos segundos — ou pedir uma resposta à inteligência artificial. A forma de buscar conhecimento mudou.
E, nas últimas décadas, também mudou o principal desafio da educação brasileira.
No fim da década de 1980, cerca de 40% da população em idade escolar não era atendida. O desafio era ampliar a infraestrutura e garantir que crianças e adolescentes chegassem às salas de aula.
Hoje, 95% têm acesso à escola. O desafio passou a ser garantir a qualidade do ensino e a aprendizagem — em um mundo marcado pelo excesso de informação e pelas novas tecnologias.
Se antes encontrar uma informação podia levar horas, hoje o problema é outro: saber o que fazer com a quantidade de conteúdo disponível.
Internet, celulares, redes sociais, vídeos e ferramentas de inteligência artificial colocaram o conhecimento na palma da mão. Ao mesmo tempo, especialistas e educadores alertam para a dificuldade de manter a concentração e para a necessidade de ensinar os estudantes a identificar o que é informação confiável, boato ou desinformação.
A inteligência artificial é um dos exemplos dessa mudança. Ferramentas capazes de produzir textos e respostas em poucos segundos podem auxiliar os estudos, mas também levantam preocupações sobre o uso automático de conteúdos e o chamado “copia e cola”.
Para especialistas, a escola precisa ajudar o aluno não apenas a encontrar respostas, mas a desenvolver capacidade de análise, interpretação e pensamento crítico.
Melhorar a aprendizagem também passa pela formação e pela valorização dos profissionais que estão em sala de aula. Gabriel Corrêa afirma que a carreira docente ainda é pouco valorizada, que os cursos de formação inicial apresentam problemas e que a formação continuada dos professores também precisa avançar.
Segundo ele, melhorar a qualidade do ensino passa por investir no corpo docente e na formação dos profissionais.
Para Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do IEDE (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), é necessário começar o acompanhamento desde os primeiros anos da vida escolar.
Ele defende investimentos na educação infantil e na construção de uma base sólida de aprendizagem, além do monitoramento do desempenho dos alunos e de ações relacionadas a currículo, formação de professores e condições das escolas.
Garantir o acesso à escola também não significa que todos os estudantes permanecerão nela até o fim da educação básica.
Dados da rede estadual e do Inep mostram que a evasão escolar diminuiu nas últimas décadas. No fim dos anos 1990, o índice era de cerca de 11%. Hoje, está em torno de 3%.
Apesar da redução, o abandono ainda é um problema, principalmente no ensino médio.
Para Gabriel Corrêa, um dos motivos é a dificuldade de os jovens relacionarem o que aprendem na escola com a própria realidade e com o futuro profissional e acadêmico.
Segundo ele, é necessário repensar o currículo e a forma como as aulas são dadas para aumentar o interesse dos estudantes. O especialista também defende maior apoio aos alunos mais pobres, que apresentam taxas mais altas de evasão.
A rede estadual de São Paulo tem cerca de 5,6 mil escolas e atende mais de 3 milhões de alunos. Eles vivem em realidades muito diferentes, o que torna a equidade outro ponto central para melhorar a educação.
Para Ernesto Faria, políticas educacionais precisam considerar as desigualdades e acompanhar as necessidades de cada estudante, independentemente de sua origem ou do local onde vive.
Segundo ele, é preciso garantir que os estudantes sejam acompanhados e estimulados para desenvolver todo o seu potencial de aprendizagem.
A educação paulista, portanto, enfrenta hoje desafios diferentes daqueles do fim do século passado. Se antes era preciso ampliar a rede para garantir que crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, agora é necessário melhorar a qualidade do ensino, combater a evasão e preparar os estudantes para um mundo em que a informação está disponível em poucos segundos.
Em números
- A rede estadual de São Paulo tem cerca de 5,6 mil escolas e atende mais de 3 milhões de alunos
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.