Os pais de crianças de uma creche na Zona Oeste da capital foram informados nesta quarta-feira (19) que o local vai fechar as portas em dois dias. O encerramento do atendimento na sexta (21) no Centro de Educação Infantil Pequenos do Butantã Quatro afeta 95 crianças.
Até o momento, as famílias não sabem para onde as crianças serão remanejadas.
A informação foi dada durante uma reunião com os pais. Segundo as famílias, o aviso ocorreu em cima da hora e não houve transparência sobre o processo de fechamento.
Adriana Ramos, professora e mãe de Lucius, de 2 anos, conta que a criança foi bem acolhida na creche e teve avanços no desenvolvimento.
Segundo ela, as famílias só souberam do fechamento nesta quarta-feira.
Adriana também questiona a falta de informações sobre o destino das crianças.
Prefeitura diz que prédio oferece risco.
A justificativa da prefeitura para o fechamento da unidade é que a estrutura do prédio oferece risco. Durante a reunião desta quarta, um representante do município reconheceu que a administração recebe relatórios sobre a situação há mais de um ano.
Fotos feitas dentro da creche e divulgadas pelas famílias mostram a deterioração do imóvel, com placas do teto caídas, piso quebrado e pintura descascando.
O aviso de fechamento imediato, porém, é questionado pelas famílias porque, segundo uma ata obtida pelos pais, qualquer rompimento exigiria 60 dias de aviso prévio, com aulas normais durante esse período.
Na reunião, a representante da Diretoria Regional de Educação afirmou que a ordem para o fechamento imediato veio da Secretaria Municipal da Educação. Ela confirmou ainda que os funcionários da creche serão demitidos.
A representante informou também que a prefeitura ainda está verificando os endereços exatos para onde as crianças serão transferidas.
Famílias reclamam da falta de informações.
Bianca de Medeiros, desempregada e mãe de Helena, de 1 ano e 4 meses, afirma que a creche é a única da região e que está preocupada com uma nova adaptação da filha.
Ela diz que não sabe como será a rotina da filha após o fechamento. “Eu estou totalmente perdida. Eu não sei o que fazer.”.
Para Bianca, uma mudança neste momento pode ser prejudicial para a criança. “Então para eu colocar ela numa outra creche, daqui dois meses, ter férias de novo, e outra creche e ter que se readaptar novamente, porque vai mudar de salinha.
Mayara Piva, cabeleireira e mãe de Lavinia, também afirma que foi surpreendida pela notícia. Ela elogia o atendimento oferecido na unidade e diz que as famílias já tinham acompanhado cobranças relacionadas à estrutura do prédio, mas não esperavam o fechamento imediato.
Segundo Mayara, a principal preocupação agora é a falta de informações sobre o novo local de atendimento. “A gente não tem esclarecimento de para onde as crianças vão, a distância dessas creches, nada ainda.”.
Ela também questiona o tempo disponível para organizar a rotina das famílias caso as crianças sejam transferidas para unidades distantes.
O valor reforça uma das perguntas feitas pela comunidade: se o município já tinha conhecimento dos problemas estruturais havia mais de um ano, por que não usou esse período para buscar um novo espaço na mesma região, em vez de encerrar o atendimento de uma hora para outra.
Em nota, a administração municipal informou que as vagas para todas as crianças estão garantidas, mas não foi informado onde elas serão atendidas. De acordo com a prefeitura, a definição deve ser feita nesta quinta (20), um dia antes do fechamento.
A administração municipal informou ainda que, se a realocação depender de transporte escolar, vai garantir o atendimento.
O Instituto Julia Melo, responsável pela creche, foi procurado pela TV Globo, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.