O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, vai promover medidas de ajuste fiscal para que a taxa básica de juros, a Selic, caia a 6% ao ano.
Zema não detalhou, no entanto, em que consistiria esse ajuste fiscal ou como faria para obter a redução na taxa de juros.
O candidato disse ainda que, se eleito, vai garantir que o salário mínimo seja reajustado pela inflação. “Garanto que ninguém vai ter perda”, disse o ex-governador de Minas Gerais.
Um reajuste com ganho real, porém, estaria condicionado ao bom desempenho da economia, disse.
Zema concedeu nesta segunda-feira (24) entrevista à Globo. A atração foi exibida ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com transmissão pelo g1 e pela GloboNews.
Veja destaques da entrevista de Romeu Zema à Globo.
Ao falar sobre propostas de ajuste fiscal, Zema disse que, se eleito, garantirá a reposição da inflação no salário mínimo.
O ex-governador ainda disse que manteria o ganho com relação ao crescimento dos dois anos anteriores se a economia “estiver indo bem”.
A primeira pergunta a Zema foi sobre como ele pretende, se eleito, equilibrar os gastos do país, dado que, enquanto governador de Minas Gerais, a dívida pública do estado praticamente dobrou.
Segundo ele, isso aconteceu porque o déficit foi “herdado dos anos 90” e porque o governo federal cobrava juros altos.
Zema afirmou que não fez nenhum empréstimo ou financiamento durante sua gestão de quase 8 anos em Minas.
Zema foi questionado sobre seu posicionamento contrário à vacinação obrigatória de crianças. O Estado de São Paulo enfrenta um surto de sarampo. O candidato concorda que situações como esta colocam em risco a sociedade como um todo.
Para o candidato, o papel do governo é fazer campanha de conscientização e vacinar o maior número de pessoas possível. Segundo ele, a obrigatoriedade não pode ser imposta em “um país democrático”.
Anistia a condenados pelo 8 de Janeiro.
O candidato disse que, se eleito presidente, dará anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e classificou o julgamento dessas pessoas, feito pelo STF, como “nitidamente político”.
Segundo Zema, os responsáveis devem ser punidos por vandalismo e depredação. Na avaliação dele, há tribunais no Brasil “fazendo mais política do que propriamente justiça”.
Zema também afirmou confiar nas urnas eletrônicas, embora defenda que o sistema poderia ser “melhorado” com voto impresso.
Vale lembrar: eu sou totalmente democrata, fui eleito pela urna eletrônica, confio na urna eletrônica — que poderia ser melhorada se tivesse impresso, mas confio.
Zema afirmou que medidas adotadas pelo governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, para reduzir os homicídios podem ser adaptadas ao Brasil. O candidato visitou o país em maio de 2025 para conhecer a política de segurança pública.
Questionado especificamente sobre medidas do governo Bukele, como suspensão de direitos, Zema disse que não concorda, mas disse que o exemplo salvadorenho o inspira por ter colocado criminosos “atrás das grades” e reduzido os homicídios.
Questionado sobre como combateria a violência contra as mulheres, o candidato citou a ampliação do número de delegacias especializadas no atendimento à mulher, com atendimento feito por funcionárias femininas, e de casas de acolhimento para vítimas de violência doméstica.
Também mencionou o uso de recursos tecnológicos, como tornozeleiras eletrônicas com distância mínima de 200 metros da vítima e possibilidade de chamar automaticamente a polícia.
Disse, ainda, que o aspecto mais importante é a conscientização nas escolas. “Toda criança deve ser conscientizada de que, caso tenha violência em casa, precisa considerar isso anormal”.
Em seguida, Zema foi questionado sobre o aumento do número de feminicídios registrados em Minas Gerais em 2020, 2021, 2022, 2023 e 2025, durante o governo dele.
Ao ser questionado sobre a promessa de privatizar estatais federais se for eleito presidente, apesar de não ter conseguido vender a Cemig, principal empresa estatal mineira quando foi governador, Zema afirmou que vendeu 118 empresas e participações do governo de Minas Gerais durante os anos em que esteve à frente do estado.
O ex-governador citou entre os ativos negociados participações na Light e na Companhia Brasileira de Lítio, além da privatização da Copasa. Segundo ele, uma mudança na Constituição mineira exigia o apoio de três quintos da Assembleia Legislativa para a venda de estatais e essa maioria foi alcançada no caso da companhia de saneamento.
Zema afirmou que não pretende, inicialmente, aumentar a idade mínima para aposentadoria. Segundo o candidato, eventuais mudanças na Previdência dependerão também do aumento da expectativa de vida da população e de uma maior formalização no mercado de trabalho.
Questionado sobre possíveis alterações nas regras para trabalhadores rurais e militares, Zema afirmou que as decisões dependerão do resultado do ajuste fiscal que pretende implementar, se eleito.
O candidato disse que pretende reduzir gastos, combater fraudes e corrupção e melhorar a eficiência da administração pública.
O candidato à Presidência prometeu aumentar em dez vezes o número de escolas de tempo integral no país. Segundo ele, a meta de longo prazo é universalizar o modelo.
Zema citou sua gestão como governador e afirmou que o número de escolas com ensino médio em tempo integral passou de cerca de 70, quando assumiu o governo, para mais de 800 ao deixar o cargo.
O ex-governador disse que considera a rubrica importante, e que, durante a realização de levantamentos de informação, o investimento pode “cair numa outra sigla e não ser considerado”.
Como exemplo, citou uma comparação entre a compra de viaturas e serviços de inteligência.
Ainda segundo Zema, os investimentos em segurança pública em Minas Gerais cresceram ao longo do seu governo. “Tem outra questão também: quem constrói uma casa neste ano, no ano que vem a despesa com construção diminui.
Talvez a implantação tenha sido no início do meu governo e depois foram manutenções”, argumentou. “Enquanto a despesa foi alta, você estava adquirindo o sistema, implantando — é lógico que ela vai cair depois.
Outra pergunta foi sobre a Operação Rejeito, ação da Polícia Federal deflagrada durante o governo do candidato, que identificou uma organização criminosa que atuou para obter vantagens econômicas por meio de crimes ambientais, lavagem de dinheiro e corrupção.
Na avaliação de Zema, um estado com mais de 300 mil funcionários está sujeito a ter “algumas frutas podres”. Ele afirmou que seu governo tomou “todas as medidas”, defendendo “investigação, polícia, prisão, [e] punição”.
Lista completa
A entrevista com Zema foi a primeira de uma série com os candidatos à Presidência da República. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto.
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
24 de agosto (segunda-feira): Romeu Zema (Novo)25 de agosto (terça-feira): Ronaldo Caiado (PSD)26 de agosto (quarta-feira): Renan Santos (Missão)27 de agosto (quinta-feira): Luiz Inácio Lula da Silva (PT)28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL)29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante).
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
Romeu Zema, de 61 anos, é empresário e ex-governador de Minas Gerais. Depois de se afastar da gestão das empresas da família para entrar na política, foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022.
Agora, candidato do Novo à Presidência, tenta se apresentar como uma alternativa ao bolsonarismo, embora tenha apoiado Jair Bolsonaro nas duas eleições anteriores.
Zema se aproximou da família Bolsonaro em 2018, mas passou a se distanciar e, mais recentemente, intensificou as críticas a Flávio Bolsonaro, dizendo que é preciso unir a direita para derrotar Lula.
Nas pesquisas, aparecia com 2% das intenções de voto na Quaest de 14 de agosto.
O discurso de Zema mantém como eixos a redução do tamanho do Estado, reformas administrativas e críticas ao PT e ao STF. Zema defende mudanças nas regras para ministros da Corte e já entrou em conflito público com Gilmar Mendes.
No governo de Minas, das 12 promessas feitas em 2022, quatro foram cumpridas integralmente, cinco parcialmente e três não foram cumpridas.
O plano de governo de Romeu Zema para a Presidência, registrado no TSE, propõe uma agenda de forte redução da participação do Estado na economia, flexibilização das relações trabalhistas e endurecimento das políticas de segurança pública.
Entre as medidas estão a privatização de estatais, mudanças na Previdência e na CLT, ampliação do acesso a armas, redução da maioridade penal, mudanças no funcionamento do STF e alterações no sistema político e na política externa.
Veja as principais propostas de Zema.
Em números
- Na avaliação de Zema, um estado com mais de 300 mil funcionários está sujeito a ter “algumas frutas p
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.