A prioridade que PL e PT pretendem dar à disputa ao Senado na eleição deste ano tem como desafio atrair o interesse do eleitor para o cargo, que, historicamente, acumula a maior taxa de votos em branco e nulos, considerados inválidos na contagem final.
Em 2022, foram 18,7% de votos inválidos, taxa bem superior à dos cargos de deputado federal (10,5%), estadual (10,9%), governador (11,9%) e presidente (4,41% no primeiro turno).
A dificuldade aumenta porque o pleito deste ano é destinado à escolha de duas cadeiras por estado, quando a taxa de votos inválidos tende a ser ainda maior. Em 2018, último pleito nesse modelo, foram 26,9% de votos inválidos.
Somado aos eleitores que não compareceram às urnas, 42% dos votos possíveis foram "perdidos.
Muitos eleitores chegam na véspera da eleição sem saber em quem vão votar para o Senado, principalmente quando tem dois votos. É um sintoma de uma sociedade que não presta atenção ao Congresso Nacional.
O sistema eleitoral não gera incentivos para você fiscalizar o trabalho do Congresso. Isso aumenta o desengajamento nesses cargos", afirma o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.
A disputa do Senado foi definida como prioridade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que pretende conquistar a maioria e o comando da Casa para aprovar pautas contrárias ao STF (Supremo Tribunal Federal) e promover o impeachment de ministros da corte.
O PT passou a olhar com atenção ao tema, preocupado com o efeito de uma ampla maioria oposicionista em caso de reeleição do presidente Lula.
Atualmente, o PL tem 16 senadores e o PT, 9, dos 81 que compõem a Casa. Este ano, estão em disputa 54 cadeiras no Senado.
O estado com o maior percentual de votos inválidos em 2022 para o cargo foi o Rio de Janeiro, com 33,3%, seguido do Mato Grosso (31,2%) e de Pernambuco (22%). Amapá (7,3%), Acre (9,5%) e Amazonas (10,3%) tiveram a menor taxa.
Em 2018, quando os eleitores podiam votar em dois nomes para o cargo, Pernambuco liderou o ranking de votos inválidos (38,3%), seguido de São Paulo (32,4%) e Amapá (31,8%).
De novo Acre (10,3%) e Amazonas (15,9%) estiveram entre os três mais baixos, com Roraima (11,7%).
Acredito que o percentual maior de votos inválidos para o Senado está muito ligado à distância do cargo em relação ao eleitor mediano. O eleitor nunca valorizou ou deu pouca importância ao Senado enquanto instituição.
Agora vai ser uma eleição estratégica e pode alterar esse padrão", afirma o cientista político Julian Borba, da Universidade Federal de Santa Catarina.
O senador Humberto Costa (PT-PE), pré-candidato à reeleição este ano, afirma que a eleição para o cargo esteve vinculada por muito tempo à disputa entre governadores.
Essa dinâmica, para ele, reduzia a importância da cadeira na escolha dos eleitores.
Ele também aponta que candidatos a deputado podem escolher bases eleitorais menores para concentrar sua campanha. Já postulantes a uma cadeira no Senado precisam cobrir todo o estado numa disputa vista, até então, como esvaziada.
O voto do Senado era muito casado com governador. De uns anos para cá, tem havido maior vinculação com o presidente da República porque as pessoas estão se informando mais sobre o papel do Senado.
Vamos concentrar a campanha na importância de oferecer ao presidente Lula um Congresso Nacional menos hostil ao governo. Mostrar que muitas decisões importantes não foram tomadas porque a oposição e o centrão rejeitaram", disse o senador petista.
O senador Magno Malta (PL-ES) afirma que o cargo de senador era "subestimado pelo eleitor brasileiro, embora seja um dos mais poderosos da República.
Em 2022, houve uma mudança importante de percepção, e isso não aconteceu por acaso. A polarização fez o eleitor entender que não bastava eleger um presidente. Era preciso escolher também quem estaria ao redor dele, sustentando ou freando seu projeto de poder", afirmou.
Os votos inválidos para o Senado atingiram em 2022 o menor percentual desde 2002, seguindo a tendência dos demais cargos, como mostrou a Folha.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.