## Medida busca dar suporte à liquidez dos Treasuries e foi interpretada de forma positiva pelos investidores.
A medida começa em 9 de setembro e vale, inicialmente, até 4 de novembro. Embora o valor seja pequeno diante do mercado de Treasuries, o anúncio provocou forte reação nos mercados.
Os juros dos títulos longos caíram, o dólar perdeu força. Bolsas, ouro e criptomoedas subiram. A principal leitura entre investidores é de que o Tesouro enviou um recado: está disposto a agir para reduzir a pressão sobre o mercado de dívida.
A recompra ocorre quando o Tesouro volta ao mercado para comprar títulos que já havia emitido. Ao aumentar a demanda pelos papéis, a operação eleva seus preços e, consequentemente, reduz os rendimentos.
A medida não equivale ao chamado afrouxamento quantitativo adotado pelo Federal Reserve. Nela, o banco central compra títulos e cria reservas bancárias, ampliando a liquidez do sistema.
Na recompra do Tesouro, não há criação de moeda. O governo usa recursos disponíveis para trocar títulos longos por caixa. Na prática, a operação também pode alterar o perfil da dívida, reduzindo a quantidade de papéis longos em circulação.
O anúncio é feito depois de uma forte alta dos juros de longo prazo. Na 3ª feira (18.ago), o rendimento do Treasury de 30 anos chegou a 5,337%, o maior nível desde 2007.
O movimento surge durante preocupações com a inflação, os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia e o aumento da dívida pública americana, que exige grandes volumes de financiamento.
Para o especialista em investimentos e sócio da AW Capital, Augusto Parente, a decisão foi acertada porque mostra que o Tesouro está atento às dificuldades do mercado.
Segundo ele, a medida também busca dar suporte aos investidores que atuam no trecho mais longo da curva.
O ponto central do anúncio está menos no dinheiro envolvido e mais na sinalização. O Tesouro havia divulgado o cronograma trimestral de recompras só 2 semanas antes.
A mudança fora da janela tradicional reforçou a percepção de que o governo está atento ao estresse no mercado de títulos.
Segundo o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass, o Tesouro passou a atuar como comprador justamente no trecho mais longo da curva, depois do aumento do estresse na renda fixa global.
Para ele, o efeito foi imediato porque a queda dos juros americanos destravou o apetite por risco.
Apesar de as recompras começarem apenas em setembro, o mercado reagiu imediatamente ao anúncio. Segundo Parente, os Treasuries de 30 anos recuaram 1,90% no dia, enquanto os de 10 anos caíram 1,42%.
No mercado acionário americano, o efeito foi mais moderado: o S&P 500 subiu 0,21% e o Nasdaq avançou 0,16%.
O Ibovespa chegou a superar os 170 mil pontos durante a tarde, mas perdeu parte dos ganhos e fechou próximo dos 168 mil pontos, em alta de 0,90%.
COMO OS JUROS NOS EUA AFETAM O BRASIL.
Os Treasuries são referência para o mercado financeiro global. Quando os juros dos títulos norte-americanos sobem, investimentos considerados mais arriscados, como ações e ativos de mercados emergentes, tendem a perder atratividade.
O movimento contrário favorece esses ativos. Com a queda dos juros longos nos EUA, diminui o retorno oferecido pela renda fixa americana e aumenta o espaço para a busca por risco em outros mercados.
É por isso que uma decisão sobre títulos da dívida americana pode provocar efeitos no dólar, nos juros futuros e na Bolsa brasileira.
O principal teste da decisão será em 4 de novembro, quando o Tesouro deverá avaliar se mantém, amplia ou reduz o volume das recompras.
A questão é se a medida será suficiente para conter a pressão sobre os títulos longos ou se terá apenas efeito temporário. A recompra não resolve os fatores estruturais que pressionam os juros, como o elevado déficit público, a necessidade de novas emissões e as preocupações com a inflação.
Por isso, o movimento desta 4ª feira pode ser visto mais como um sinal de disposição do Tesouro para atuar e um alívio imediato no mercado do que como uma solução definitiva para o problema dos juros longos.
Em números
- O Ibovespa chegou a superar os 170 mil pontos durante a tarde, mas perdeu parte dos ganh
- Os e fechou próximo dos 168 mil pontos, em alta de 0,90%
Fontes
Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.