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Política

Roberta Luchsinger diz que pediu apoio a Marcola, mas não pagou, e que Lulinha é amigo antes de Lula ser

Alvo de três inquéritos da PF junto com Lulinha, filho do presidente, ela afirma que pagamentos ao ex-chefe de gabinete de Lula foram uma 'ajuda para um amigo'.

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Roberta Luchsinger diz que pediu apoio a Marcola, mas não pagou, e que Lulinha é amigo antes de Lula ser

Investigada pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de tráfico de influência, a empresária Roberta Luchsinger afirma que pediu para o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoiar sua proposta sobre fornecimento de canabidiol ao governo, mas não fez pagamentos em troca desse apoio.

  1. sobre a tentativa de vender canabidiol ao Ministério da Saúde — caso em que são citados Marcola, o Careca do INSS com sua empresa World Cannabis e o então secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, o Berger, contato do grupo na pasta.
  2. sobre tentativa de negócios com a Dataprev, estatal que processa dados da Previdência — caso que envolve uma outra empresa, a 3Structure, da área de tecnologia.
  3. sobre negócios em outros órgãos públicos. Não há informações sobre essa investigação até o momento.

Quem é Marcola, ex-assessor de Lula que entrou no radar da PF.

Roberta é alvo de três inquéritos da PF ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A suspeita é que eles tenham atuado para favorecer empresas junto a órgãos federais.

Até o momento, no entanto, as investigações não apontaram se algum contrato foi assinado com o poder público.

Em um dos inquéritos, a polícia investiga conversas de Roberta com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, sobre uma proposta de fornecimento de canabidiol para o Ministério da Saúde.

Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira", disse Roberta ao g1 por mensagem nesta quinta-feira (27), em sua primeira manifestação desde que as investigações vieram a público.

Roberta vinha se manifestando por meio de nota de seus advogados.

No domingo (30), o Fantástico exibirá uma reportagem sobre a empresária.

Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia 'linkar' uma coisa na outra.

Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo", disse a empresária.

O texto previa a dispensa de licitação e direcionava o negócio para a empresa World Cannabis, pertencente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O documento havia sido elaborado pela equipe do Careca. Nenhum contrato com o ministério foi assinado.

De acordo com Roberta, há um problema regulatório no setor de canabidiol que tem submetido pacientes a produtos importados sem um controle de qualidade, que deveria ser feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a versão de Roberta, a minuta que ela enviou a Marcola tinha propostas para melhorar esse problema.

A principal mudança descrita no documento é administrativa e operacional: sair de sucessivas aquisições vinculadas às demandas individuais para uma estrutura de planejamento e aquisição centralizada [pelo Ministério da Saúde] de uma demanda judicial já existente e recorrente", disse.

Diante de tema tão importante, e por não haver nenhuma relação de compra e venda — até porque são demandas judicializadas —, eu gostaria sim de ter tido apoio, olhos postos sobre o tema", afirmou.

Antônio [Careca] contratou uma equipe muito competente [na World Cannabis], inclusive pessoas que foram funcionárias da Anvisa e que, após saírem, prestam serviços de consultoria altamente especializada", declarou Roberta.

Desde que seu nome foi envolvido em suspeitas, em dezembro de 2025, Roberta e seus advogados negam que ela tenha feito pagamentos a Lulinha com a finalidade de que ele abrisse as portas do Ministério da Saúde para os produtos do Careca do INSS.

Antes de haver busca e apreensão na minha casa, eu já havia manifestado que eu não tinha ideia de nada de INSS e que minha relação com Antônio [Careca] era canabidiol.

Eu fui a primeira a falar. Porque não vejo crime nenhum nisso", disse.

Em mensagens obtidas pela PF, Roberta disse ter uma sociedade com Lulinha. Questionada sobre a natureza da sociedade, ela respondeu que eles são amigos e que já tiveram "a intenção" de fazer coisas juntos.

Eu e Fábio somos amigos. Muito amigos. Renata, esposa dele, [é] minha melhor amiga. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista.

Fábio é meu amigo antes de o pai ser presidente", afirmou.

Perguntada sobre pagamentos de vantagens a Lulinha, como viagens, Roberta disse apenas que "tudo [está] muito fora de contexto.

Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27), Lula disse que o filho terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito. Ao ser questionado sobre as mensagens atribuídas à Roberta e ao filho, declarou: "o que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone.

Segundo pessoas do PT, Roberta se aproximou do partido e de Lulinha a partir de 2017, quando Lula estava sendo processado na Lava Jato.

Em 2018, Lula foi preso e a relação dela com Lulinha se estreitou. Naquele ano, Roberta foi candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo, mas não foi eleita.

Eu poderia ter falado: 'Fábio, mostra aí para seu pai essa questão do canabidiol, como o Brasil está atrasado. Ele é meu amigo, eu poderia ter pedido. Nunca pedi.

Porque, como amiga, sei que, primeiro, ele não faria, e segundo, é algo muito técnico", disse.

Roberta também afirmou que suas mensagens com Lulinha estão sendo "distorcidas, picotadas". Por isso, seu advogado, Roberto Podval, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retirar o sigilo das investigações e divulgar todas as conversas na íntegra, de acordo com ela.

Roberta e Lulinha são investigados em três inquéritos no STF pelos supostos crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O ministro do STF André Mendonça é o relator dos dois primeiros inquéritos. O ministro Flávio Dino, do terceiro.

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