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Política

Renan Santos repete Enéas com ideia de bomba atômica

Candidato do Missão retoma posição de presidenciável do Prona, que fazia campanha na década de 1990.

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Política — imagem padrão

A ideia de construir uma bomba nuclear no Brasil circulou durante a ditadura e alimentou um programa sigiloso. Em 1986, já no governo Sarney, a repórter Elvira Lobato revelou, na Folha, que a Aeronáutica havia construído na serra do Cachimbo, no Pará, um poço de 320 metros cujas características eram compatíveis com testes nucleares subterrâneos.

Anos depois, a bomba ganhou um defensor eleitoral. O pitoresco Enéas Carneiro, médico e líder do Prona, que disputou a Presidência em 1989, 1994 e 1998, defendeu abertamente que o Brasil construísse o artefato.

A bomba atômica é fundamental. Não para jogar em ninguém, mas para sermos respeitados", dizia.

Enéas morreu em 2007, mas a ideia reaparece agora através de um novo candidato, Renan Santos, do Missão. Ele já havia se declarado favorável ao desenvolvimento da bomba e à saída do Brasil dos tratados que impedem essa decisão.

Seria, em suas palavras, um "processo inevitável" de garantia da soberania. Nesta quarta (26), ele reafirmou a ideia em entrevista à Globo.

Kim Kataguiri, do mesmo partido da direita liberal, já havia, em outubro de 2025, apresentado PEC para permitir ao Brasil produzir armas nucleares a título de dissuasão e também defesa da soberania.

Desde 1988, o artigo 21 da Constituição determina que "toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos". A PEC de Kataguiri acabaria justamente com essa restrição constitucional.

Enéas falava na esteira do Brasil Grande dos militares. Renan e Kataguiri falam em um mundo no qual os EUA, sob Trump, intervêm unilateralmente, sabotam a ordem liberal e redefinem a disputa global nas bases de uma partilha entre seu país e outras duas superpotências nucleares –a China de Xi Jinping e a Rússia de Putin.

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