Os programas de governo para a educação de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) refletem a ideia de país de cada candidato, mas ambos deixam lacunas sobre um novo rumo para uma área que mobiliza orçamento bilionário e milhões de estudantes e educadores.
Há fragilidades comuns: pouca disposição para metas efetivas, ausência de programas robustos para diferentes etapas da vida escolar e acadêmica, reciclagem de promessas e pouca substância para enfrentar os desafios de aprendizagem com equidade na educação básica.
O Brasil tem um dos maiores sistemas de educação básica do mundo, com 46 milhões de matrículas, 80% delas em escolas públicas.
Os dados mais recentes mostram avanços, ainda lentos, sobretudo na aprendizagem. O Ideb 2025 reforçou a tendência: melhora mais intensa nos anos iniciais do ensino fundamental, que perde força nos anos finais e no ensino médio.
Na aprendizagem, somente 11 estados tiveram, no ensino médio, avanço relevante em português e matemática entre 2015 e 2025. Entre 2005 e 2015, foram apenas três.
O programa de Lula explora realizações desta gestão. O MEC (Ministério da Educação) precisou reconstruir políticas, orçamento, e até a estrutura da pasta após o desmonte da área sob Jair Bolsonaro, o que é ressaltado no texto.
Mas promessas citadas no plano já constam na legislação —o plano afirma que vai seguir as metas da lei do PNE (Plano Nacional de Educação)— ou foram anunciadas no atual governo: 111 novos institutos federais (hoje são 39 institutos e dois Centros Federais de Educação Tecnológica), conectividade universal e 80% das crianças alfabetizadas na idade certa (hoje, 66%).
A meta mais assertiva está no programa de Flávio: zerar até 2030 o número de escolas sem água. Hoje, 4% das 137 mil escolas públicas não têm acesso à água encanada.
Na alfabetização, Flávio propõe a adoção nacional do método fônico, política do governo Bolsonaro que teve repercussão negativa e pouco resultado. A proposta contraria avaliação de especialistas e redes de que o MEC não deve impor uma pedagogia, mas investir na formação docente e combinar metodologias.
No governo Lula, o MEC lançou uma política nacional de alfabetização, mobilizou redes estaduais e municipais a trabalhar em cooperação e criou avaliação anual. Em 2025, 66% das crianças foram alfabetizadas na idade adequada, acima da meta do ano, embora o indicador tenha sido alvo de críticas.
Em números
- O Brasil tem um dos maiores sistemas de educação básica do mundo, com 46 milhões de matrículas, 80% delas em escolas públicas
- Hoje, 4% das 137 mil escolas públicas não têm acesso à água encanada
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.