Quase uma semana depois do resultado das urnas, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Novo não reconheceu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Mobiliza ainda não se manifestou sobre o desfecho da disputa à Presidência da República.
Ao todo, vinte e sete partidos políticos divulgaram manifestações em que reconhecem a vitória do presidente Lula nas eleições deste ano.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, questionou o resultado alegando uso da máquina pública e do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma referência a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o período de votação até às 19h, pedido que havia sido feito também pelo PL.
Carta golpista leva TSE, partidos e até aliados de Flávio a defender resultado das urnas.
O TSE atestou a regularidade do processo eleitoral e reconheceu a vitória do presidente Lula ainda no domingo (25), após a totalização dos votos. Após o resultado, Flávio Bolsonaro disse não reconhecer a vitória de Lula e afirmou que iria pedir a anulação da votação.
Após perder as eleições, Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil em direção aos Estados Unidos. Após desembarcar no país norte-americano, o senador divulgou uma carta com teor golpista, na qual afirmou não reconhecer o resultado das urnas no segundo turno da eleição presidencial, acusou suposta fraude eleitoral e afirmou ser o "verdadeiro presidente do Brasil", o "presidente eleito.
Depois da divulgação da carta de Flávio, questionando o resultado nas urnas, o presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a Justiça Eleitoral entregou o pleito deste ano com segurança e que as eleições "transcorreram dentro da mais absoluta normalidade.
Entre as siglas que reconheceram a vitória estão o PL — partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro —, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP e PSTU.
Ao g1, Ribeiro afirmou que o partido continuará sem reconhecer o resultado das eleições presidenciais por uma questão de coerência.
O partido não se manifestou sobre a carta escrita por Flávio Bolsonaro após fugir do país para os Estados Unidos em que o candidato derrotado, em tom golpista, se autoproclamou presidente eleito do país, voltando atrás minutos depois e trocando a expressão por “líder do Brasil”.
Segundo o g1 apurou, a postura é parte de uma estratégia do partido, que está apostando em “um racha” da direita, principalmente no PL, entre abraçar ou não o discurso golpista de Flávio Bolsonaro de não reconhecer o resultado das eleições presidenciais.
Ribeiro disse que o partido não vai entrar em eventuais disputas, mas que está “de portas abertas” para receber quadros que se identifiquem com a legenda e com a postura adotada após o pleito.
O Novo já havia sinalizado ao bolsonarismo durante a campanha presidencial do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Após a revelação dos áudios em que Flávio Bolsonaro pede e cobra dinheiro de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para bancar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema foi um dos primeiros políticos a criticar a relação entre o senador e o banqueiro.
As declarações não caíram bem dentro do partido e Zema foi cobrado por correligionários a baixar o tom contra Flávio para não atrapalhar palanques locais, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Zema então passou a falar em união da direita “para derrotar o PT”, mas acabou abandonado por quadros do partido ainda no primeiro turno.
Um deles foi Marcel Van Hattem, deputado que acabou eleito senador pelo Rio Grande do Sul. A três dias do primeiro turno, o parlamentar declarou em live realizada com Flávio Bolsonaro que “no domingo votaria 22”.
Nas eleições, o Novo elegeu dez deputados federais, três senadores e rompeu a cláusula de barreira.
🔎 Também chamada de cláusula de desempenho, a regra estabelece que os partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos para ter acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na televisão e no rádio.
Romeu Zema acabou na sexta colocação com apenas 326. 488 votos, 0,27% dos votos válidos. A performance foi pior que a de Felipe D’Avila, candidato do partido em 2022, que foi votado por 559.
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