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Política

Nervosismo e generalidades marcam entrevistas de presidenciáveis na Globo

Sabatinas foram marcadas por incômodo de Lula e Flávio Bolsonaro ao falar de escândalos

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A entrevista para a TV Globo, na esteira do Jornal Nacional, é uma disputa de pênaltis, como definiu um estrategista de uma das principais campanhas presidenciais.

Ou seja, um momento de máxima tensão para o candidato, que teme arruinar suas chances por alguma bobagem que disser, como um jogador que manda a bola por cima do travessão.

Na série que se encerrou no sábado (29), não chegou a haver um momento Roberto Baggio, mas alguns candidatos passaram perto.

A maior bola fora foi de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao negar que tivesse estado com a lobista Roberta Luchsinger, desmentido minutos depois por fotos ao lado dela.

A estratégia de ir para o ataque contra a amiga de seu filho, chamando-a de pilantra e malandra, foi incoerente com a defesa de que Lulinha tenha o benefício da dúvida.

Se ela é pilantra, por que Fábio Luís ou Marcola, seu ex-chefe de gabinete, não seriam.

Desde que se tornaram parte do calendário eleitoral, as entrevistas com os apresentadores do JN adotam o formato "hard talk", popularizado pela britânica BBC, com perguntas duras.

A ideia é gerar desconforto desde o primeiro momento, e isso funcionou com o presidente, claramente incomodado com a artilharia pesada sobre o caso que envolve seu filho.

Sua estratégia foi fazer uma relação com a Lava Jato, dizendo que foi perseguido e alvo de ilações.

Nos poucos minutos que sobraram para outros temas, disse algo que acabou ficando em segundo plano, mas poderá ter consequências até maiores: não está preocupado com a dívida pública, contrariando seu próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Flávio Bolsonaro (PL) também não se saiu bem ao falar sobre o seu próprio escândalo, o do Banco Master. Visivelmente nervoso, balbuciou em alguns momentos ao tentar explicar por que renegou a promessa de dar transparência aos recursos repassados por Daniel Vorcaro para o filme sobre seu pai.

Na parte das propostas, também relegada a um apêndice da entrevista, Flávio recorreu a platitudes.

Sobre a política de aumento real do salário mínimo e das aposentadorias (que aliados, à boca pequena, dizem ser insustentável), disse que não fará economia com o povo mais sofrido.

Seria curioso encontrar um candidato que prometa em campanha lascar a parte de baixo da pirâmide.

Ao responder se acredita em aquecimento global, falou que o mundo vive extremos climáticos, o que qualquer pessoa que lê jornal pode atestar.

Proferir generalidades foi também a tônica de Ronaldo Caiado (PSD), com suas longas respostas sem vírgula ou ponto de corte. A justificativa para não ser mais específico, de que não estava em uma mesa (ou banca) examinadora, acabou sendo a parte que chamou mais a atenção.

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