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Política Revisado por ULTRA AI

Não monitorei Dino, e decisão de Moraes prejudica toda a imprensa, diz jornalista alvo no Maranhão

Luís Pablo afirma que operação contra informante é tentativa de destruição profissional

4 min de leitura
Política — imagem padrão

Principal alvo de um inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino, o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, 40, nega ter cometido irregularidades e afirma que não monitorou o integrante do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares.

Ele teve seu computador e celular apreendidos em março pela Polícia Federal. O órgão acessou as conversas dele com informantes, que foram alvos de busca e apreensão nesta terça-feira (11).

Estão tentando me destruir profissionalmente, porque diante da revelação da minha fonte a nível nacional, quem é a pessoa que daqui para a frente vai querer falar comigo ou me passar informação?", questiona Luís Pablo em entrevista à Folha.

Os textos que ele publica desde 2011 no blog Luís Pablo, apresentado como "jornalismo independente que incomoda o poder", tratavam do suposto uso irregular de carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) e do governo do estado por Dino.

Para ele, a decisão de Moraes é um "precedente grave a todos os jornalistas do país, que estão à mercê de ser alvo de uma operação como a que aconteceu comigo.

Procurada pela Folha, a assessoria de Dino enviou duas notas ministro e uma do Tribunal de Justiça do Maranhão negando irregularidades. Elas afirmam que veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os tribunais, com base em normas da corte e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A assessoria de Dino diz que "jamais houve uso irregular de veículo oficial" do TJ-MA e que "um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país.

O ministro afirma ter pedido a ampliação das medidas de segurança para ele e sua família.

Na manhã desta quinta (13), Dino disse nas redes sociais que sua função de juiz impede "de participar cotidianamente de 'apaixonados' debates públicos.

Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas", afirmou o ministro.

De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa.

Entidades de jornalismo criticaram a decisão de Moraes e afirmam que casos do tipo podem resultar em intimidação do trabalho da imprensa.

O que era mostrado nas reportagens que motivaram essas medidas judiciais? O uso irregular do veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por parte dos familiares do ministro Flávio Dino.

Era irregular porque não havia nenhuma sessão administrativa do STF para o Tribunal de Justiça concedendo o veículo para ele.

O que havia era um documento solicitando apenas apoio de segurança para o ministro. Só após as minhas reportagens é que o STF encaminhou um novo documento pedindo para ceder o veículo para o ministro.

O inquérito trata de uma suspeita de perseguição ao ministro e à família dele. Durante a elaboração da reportagem, houve perseguição a essas pessoas? Nunca procurei nenhum familiar, e nem o ministro Flávio Dino foi abordado por mim.

Eu procurei de forma institucional por meio do seu email do gabinete e do STF, assim como também procurei por meio do email do Tribunal de Justiça pedindo esclarecimentos, e nenhum me respondeu.

Mas houve monitoramento durante a apuração da reportagem? Quando aconteceu a operação em março, fui acusado de estar monitorando Flávio Dino. Ontem [terça, 11], após nova decisão do ministro Alexandre de Moraes, ficou provado que eu em momento algum monitorei Dino.

Após a revelação da minha fonte, ficou comprovado que recebi o material da fonte. Essa afirmação de que eu estava monitorando o ministro não existe.

Como foi o dia em que houve a busca e apreensão na sua casa, em março? Durou apenas dez minutos porque eles vieram diretamente buscar apenas meus equipamentos de trabalho.

E qual sua reação à época? Fiquei estarrecido, fiquei me sentindo intimidado diante de uma decisão que me deixou sem meus equipamentos de trabalho. Fiquei durante dias sem trabalhar, sem meus equipamentos.

Eu me senti censurado diante dessa decisão.

Isso mudou de alguma forma a rotina de trabalho? Mudou completamente. Eu me sinto uma pessoa prejudicada profissionalmente. Estão tentando me destruir profissionalmente, porque diante da revelação da minha fonte a nível nacional, quem é a pessoa que daqui para a frente vai querer falar comigo ou me passar informação.

Nenhuma. Como é que eu vou exercer o papel de jornalista sem ter a prerrogativa de não revelar minha fonte.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

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