O que o vice-presidente JD Vance dirá durante sua campanha nesta sexta-feira (9) em Ohio? E quem mais receberá o apoio do ex-presidente Barack Obama, que tem anunciado diversos apoios nesta semana.
Mercados de previsão geram temores sobre uso de informações privilegiadas por integrantes de campanhas.
Ao contrário dos resultados das eleições, todas essas questões políticas têm respostas que podem ser conhecidas.
Além disso, agora é mais fácil do que nunca lucrar com informações privilegiadas graças à enorme expansão de plataformas de previsão como Kalshi e Polymarket, onde as pessoas podem apostar em eventos da vida real.
Ambas as empresas estão oferecendo mercados de apostas para todas as disputas ao Senado, à Câmara e aos governos estaduais deste ano.
Mas elas também disponibilizaram mercados para tópicos relacionados às eleições de meio de mandato que são muito mais suscetíveis ao uso de informações privilegiadas, uma vez que os resultados podem ser conhecidos com antecedência.
Esses "mercados de informações previsíveis" abrangem situações como a possível desistência de candidatos, grandes apoios políticos, os locais onde o presidente Donald Trump realizará eventos de campanha, o que os candidatos dirão em comícios e debates (os chamados "mercados de menções"), a realização ou não de debates e quais estados redesenharão os limites de seus distritos eleitorais para a Câmara.
Isso é legal, e é aí que reside parte do problema", afirmou Michael Hornsby, codiretor da organização sem fins lucrativos Anti-Corruption Data Collective. "Todas essas informações são acessíveis aos candidatos, às suas equipes de campanha e às pessoas próximas a eles.
A CNN mantém uma parceria com a Kalshi e utiliza os dados da plataforma na cobertura de grandes eventos. No entanto, os profissionais da área editorial da CNN não têm permissão para utilizar plataformas de previsão.
A administração Biden tentou proibir mercados de apostas em resultados eleitorais, mas um tribunal federal de apelações barrou a iniciativa em outubro de 2024.
A administração Trump tem apoiado empresas de mercados de previsão e está finalizando regulamentações federais que permitiriam que esses mercados eleitorais continuassem a prosperar.
Com o apoio de órgãos reguladores, sites de previsão agora oferecem, em média, 44 mercados específicos vinculados a cada disputa eleitoral — indo além de apenas quem vence ou perde —, segundo o grupo apartidário de Hornsby.
Ele afirmou que empresas como Kalshi e Polymarket estão "criando um incentivo para que futuros servidores públicos negociem com base em informações privilegiadas.
Esses incentivos à conduta ilícita ganharam destaque nacional neste verão, quando o operador de teleprompter da Casa Branca durante o governo Trump foi flagrado negociando com informações privilegiadas nos "mercados de menções" da Kalshi, relacionados a discursos de Trump.
Até o momento neste ano, a Kalshi suspendeu pelo menos seis candidatos às eleições de 2026 por apostarem em suas próprias disputas, violando as regras da plataforma.
A Polymarket contratou um ex-agente do FBI para liderar sua equipe de investigações e encaminha regularmente casos ao Departamento de Justiça para possível processo judicial.
Além disso, a empresa conta com um “sistema de monitoramento de última geração” que inclui medidas específicas para proteger os mercados de apostas políticas, disse um porta-voz à CNN em comunicado.
O relatório do Anti-Corruption Data Collective apontou possíveis atividades suspeitas em um mercado da Kalshi sobre a possibilidade de Graham Platner desistir da disputa para o Senado pelo Maine — um dos "mercados baseados em fatos conhecíveis" mais suscetíveis ao uso de informações privilegiadas.
Poucas semanas depois, uma ex-namorada o acusou publicamente de estupro — acusação que ele negou. Seu apoio dentro do partido desmoronou e, em questão de dias, ele desistiu da disputa.
Pesquisadores de um grupo de monitoramento identificaram dezenas de negociações potencialmente correlacionadas na plataforma Kalshi — apostas de baixo risco de acerto (mas alto retorno) prevendo a desistência de Platner —, realizadas na noite anterior e momentos antes de a acusação de estupro se tornar pública.
No entanto, esses padrões não comprovam o uso de informações privilegiadas, e as negociações podem não ter relação com o caso.
Mas é fácil imaginar quem poderia ter tomado conhecimento das alegações de estupro antes de a história vir à tona: membros da equipe de campanha, doadores, pesquisadores de oposição de ambos os partidos, outros jornalistas, familiares e amigos da ex-namorada, entre outros.
Em uma conversa com repórteres na terça-feira (6), o principal lobista da Kalshi, John Bivona, afirmou que a empresa avalia seus clientes e os impede de participar de mercados nos quais poderiam influenciar o resultado.
Isso se aplica a candidatos, integrantes de equipes de campanha, dirigentes partidários, fornecedores, pesquisadores de opinião e trabalhadores do processo eleitoral.
Bivona disse que a Kalshi segue “um padrão mais rigoroso do que a lei federal sobre insider trading” (uso de informações privilegiadas) e “monitora todas as negociações em busca de momentos suspeitos e atividades coordenadas”.
A legislação federal classifica como crime negociar com base em informações não públicas quando existe um dever de confidencialidade — como no caso de segredos comerciais ou informações de inteligência do governo.
Acusações de uso de informações privilegiadas também podem ser apresentadas contra pessoas que negociam com base em uma dica fornecida por alguém obrigado a manter o sigilo da informação.
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